quinta-feira, 28 de março de 2013

Amigos d/na maternidade

Sempre fui muito ambivalente nesta coisa de criar blogs públicos pessoais. Principalmente blogs sobre a maternidade ou filhos. Geralmente olho para eles como uma forma narcísica de as mães partilharem com o mundo as maravilhas da (sua) maternidade, provavelmente de uma forma muito filtrada de maneira a que se veja só a parte "anúncio dodot" (ou anúncio Continente, um nojo, péssimo, de cortar os pulsos de tal forma é diferente da nossa vidinha). Para validarem junto de estranhos ou menos estranhos que estão a ser muito capazes de dar conta do recado. E ainda, a avaliar pelas fotos (mas anda tudo a tirar cursos de fotografia?!e descrições, com tempo para ir à manicure, fazer soufflé e passear na praia. Que raio. Eu fico feliz se conseguir tomar um banho de 10 minutos. As sacanas sabem coisas que eu não sei, de certeza! 

Portanto, prefiro acreditar que de facto esses blogs fresh são uma réplica pouco fiel da realidade, sob o risco de me sentir (ainda) menos competente.

E no entanto, eis-me aqui neste. Tenciona ser catártico. Chamar o humor como amigo fiel. Sim, talvez também partilhar sucessos, coisas boas. Talvez ouvir de outras pessoas que sentem o mesmo, para não estar aqui tão sozinha neste planeta (só me falta uma rosa e uns vulcões para limpar) [onde está o principezinho? Está auquiii, está aqui o principezinho!] Mas se cair demasiado no estereótipo de cima alguém me avise, que isto às vezes tende a resvalar, e é muito fácil pintar quadros fraudulentos.

E chegamos à primeira questão. A quem dar a conhecer que este espaço existe? Exercício interessante, este de pensar que gente quero a conhecer isto. Este de pensar a quem quero dar a conhecer a mãe que eu sou.

Estranhos? Se cá vierem parar, tudo bem. O anonimato é um excelente casaco. Até pode ser uma fonte de solidariedade (e não me importo que, às vezes, também eu faça soufflé com unhas arranjadas aos olhos deles). 

Amigos? Olha, olha... parece que também tu andas tipo anúncio dodot com muita gente. E esta, hein? Não sei se é só isso, acho que não. Não nos despimos em frente a toda a gente, mas curiosamente é mais fácil fazê-lo junto a estranhos do que a "conhecidos". O pudor existe ali numa secção entre o estranho e o íntimo. E portanto, muito, muito cuidado na selecção das pessoas a informar disto. Se se espalhar para os conhecidos de café acabou, perdeu o propósito. Poucas pessoas.O facebook ajuda a listar os "amigos". Seleccionar. Os dedos de uma mão. Menos do que isso. Por enquanto, pelo menos.

quarta-feira, 27 de março de 2013

Uma espécie de início

Há 15 meses, nasceu a minha filha. Há 15 meses que eu me sinto em trabalho de parto enquanto mãe. 

A mãe que eu sonhei que seria olharia para a filha acabada de nascer como se a conhecesse há muito tempo. Não olharia para ela sentindo-a por vezes um ser completamente desconhecido.

A mãe que eu sonhei que seria deixaria a filha nos avós com todo o à vontade e promoveria o contacto de todos muitas vezes. Não ficaria angustiada nem a sentir que a abandonava a estranhos.

A mãe que eu sonhei que seria era capaz de levar a filha para todo o lado, desde bebé: festas, restaurantes, you name it. Não teria uma necessidade meio paranóica de a manter num ambiente calmo, sempre em função dos ritmos dela (ou do que se pensa serem os ritmos dela).

A mãe que eu sonhei que seria ficaria traquila perante uma fase mais rabugenta, sem que isso a afectasse. Não ficaria a duvidar da sua própria competência enquanto mãe.

A mãe que eu sonhei que seria teria sempre paciência. Não lhe apeteceria gritar à filha, nem o faria nunca.

A mãe que eu sonhei que seria acharia sempre que era a melhor mãe do mundo. Não teria dúvidas permanentes sobre se o que está a fazer está bem feito.

A mãe que eu pensei que seria não é a mãe que eu sou, e estou em processo de aceitação desta realidade. Este blog é para falar sobre isso, como me apetecer, quando me apetecer e sem grandes filtros. E de outras coisas também.