terça-feira, 10 de setembro de 2013

smells like teen spirit

Os bebés cheiram bem. Cheiram muito bem. Têm aquele cheirinho quente, doce, viciante, "nosso". Que parece que nunca se esgota. Por mais que snifemos tudo, há sempre mais um bocadinho. E, assim, é difícil retirar a cara (e o nariz!) daquela cabecinha. A natureza faz a coisa bem feita - por mais vontade que tenhamos de os atirar pela janela ou fechar no quarto, o cheirinho acaba por vencer e por nos manter ali. Tudo neles cheira bem.

Depois, há um dia em que descobrimos que já não cheiram (sempre) a bebé. Cheiram a criança. Cheiram a transpiração. Cheiram a restos de sopa e de bolacha. Cheiram a outras crianças. Cheiram aos sítios onde andaram com as mãos. E às vezes cheiram mesmo mal...


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

that kind of mum.

Hoje a S. saiu de casa para a escola com um saco contendo um tupperware com bolachinhas em forma de animais que fizemos ontem com forminhas, com uma nota dizendo que eram para os meninos da escola e rabiscada por ela.

Tornei-me numa mãe dos suburbios. Onde está o meu jardineiro musculado?

sexta-feira, 6 de setembro de 2013

sweet 16 - se eu soubesse o que sei hoje

Por causa de um comentário de um amigo hoje no facebook, viajei de repente até aos meus 16 anos. 

Olhados daqui já à distancia, parecem-me doces como uvas maduras, cheios de esperança, de ilusões, de fins de tarde prolongados, de toques fugidios. Parecem-me saudosamente belos, com borboletas na barriga. Parecem-me o crepúsculo da manhã ou da tarde, cheios de promessas, cheios de desconhecido, cheios de madrugadas. Um rio que quase transborda de cheio, onde o reflexo sorri trocista por saber que o resto do mundo não interessa, onde o frio da água nas mãos faz pele de galinha e arrepios, e por isso é tão bom. 

"Se eu soubesse o que sei hoje", os meus 16 anos teriam sido mais insípidos, com menos cor e com muito menos vida. Se eu soubesse o que sei hoje, não me teria apaixonado da mesma maneira, nem talvez pela(s) mesma(s) pessoa(s). Se eu soubesse o que sei hoje, não teria começado a fumar clandestinamente, aprendendo a custo a travar o fumo. Se eu soubesse o que sei hoje não teria, talvez, feito o percurso profissional que eu fiz. Se eu soubesse o que sei hoje, não me teria encantado com o mundo, com certas paisagens, com certos cheiros, com certas casas. Se eu soubesse o que sei hoje não teria, na altura, sacralizado certos momentos, certas memórias, certas reconstruções. 

Ainda bem que não sabia o que sei hoje. 

Que a minha filha não saiba o que eu sei hoje aos 16 anos. [e também, que não saiba algumas das coisas que eu sabia aos 16 anos - e não, não têm nada a ver com sexo, aí lhe desejo tudo a que tem direito]

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

o nome da criança



A minha filha pensa que uma parte desta música lhe é dedicada.

Pergunta para queijinho: qual o nome da criança?

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

"eu fiz o que gostava que fizessem comigo"

Ando há algum tempo para escrever este post. Ele está na mina cabeça mas ainda não tinha encontrado uma maneira de sair como deve ser. 

Há uma certa crença de que, se fizermos aos outros aquilo que gostávamos que nos fizessem a nós, então todas as nossas acções terão que ser aceites, desculpadas e louváveis. Tenho vindo a pensar que esta lógica é muito falível, para não dizer egoísta. Se eu acho que os outros devem querer e gostar do que eu lhes estou a fazer ou da forma como os estou a tratar apenas porque isso seria o que eu gostaria que me fizessem numa situação semelhante, estou a assumir que todos serão (ou, melhor, deveriam ser) como eu. E que, por conseguinte, essa será a "boa" maneira de ser. 

Acontece que não é verdade. As pessoas não são, felizmente, todas iguais a mim ou a ninguém. E, portanto, se eu quando estou feliz gosto de ir jantar fora, não significa que Fulaninho deva achar que eu sou a maior porque o convido para jantar quando ele está feliz. Se quando estou chateada gosto que me deixem em paz, então não tenho que gostar que Sicraninho me venha oferecer bolinhos à porta, apenas porque Sicraninho gosta de bolinhos quando está chateado.

Aproximar-se do outro é, penso eu, fazer precisamente o contrário: fazer aquilo que achamos que o outro gostaria. Às vezes o outro diz-nos o que quer, o que é perfeito porque, embora possa não ser a nossa maneira de agir, sabemos que ao respeitá-lo, estamos a fazer algo por ele. Outras vezes, não raramente, não diz. Aí é mais complicado. Podemos errar, podemos acertar... e podemos também perguntar - assumindo a humildade de não ter todas as respostas. Mas com a certeza de que não estamos a olhar o mundo através do nosso próprio umbigo.




é isto, minhoca, que eu quero para ti.

"I wish you enough sun to keep your attitude bright. 
I wish you enough rain to appreciate the sun more. 
I wish you enough happiness to keep your spirit alive. 
I wish you enough pain so that the smallest joys in life appear much bigger. 
I wish you enough gain to satisfy your wanting. 
I wish you enough loss to appreciate all that you possess. 
I wish enough "Hello's" to get you through the final "Good-bye"."

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Eu, pecadora, me confesso

Há momentos na vida em que uma pesso panica. Fica com visão em túnel e faz coisas que no seu perfeito juízo não faria. Segundos depois de a coisa acontecer, apercebe-se da sua tremenda idiotice. São situações limite, situações extremas, situações em que é preciso agir com rapidez.

Como ontém.

Fomos à praia as duas, para aproveitar a última oportunidade antes do regresso, em pleno, ao trabalho e à Creche. Chegadas lá, tiro a fralda normal e coloco a fralda de praia à S. que, segundos depois, faz um xixi. Fralda inutilizável, sem fralda de substituição (erro de principiante #1). Bom, fica toda nuinha, que até é como eu gosto mais. Tralálá, vamos para a água, que bom que bom, lálálá... 

De repente:

- Mamã! Ti-ti! (= xixi)
- Ó filha, tudo bem, faz aí no mar... [que atire a primeira pedra quem nunca o fez]

Acontece que a minha filha tinha uma maior ambição. Vejo-a a colocar-se em pose de ataque, vejo-a ficar mais vermelha na cara, vejo-a ficar com pele de galinha. E depois vejo-o a ele. Um rolinho perfeito.

Pânico. Estamos tão longe das nossas coisas!

Olhar em volta, à procura de testemunhas oculares. Nenhuma. A ocasião faz o ladrão, or so they say... Toda de fazer uma buraquinho, enterrar o dito, fazer uma pirâmidezinha de areia em tempo record em cima do dito e rezar para que ninguém o pise, abandonando posteriormente o local a assobiar para o lado.

E depois, a vergonha, o "como é possível teres feito isso?", "que falta de civismo", entre outros. È verdade, mea culpa, mea culpa. A maternidade tira-nos o juízo, já devia saber.

E vir para casa a pensar todo o caminho: mas é biodegradável, certo? Garrafas de plástico é bem pior....

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

less is more #4 - holidays edition

Estas férias, e em consonância com o desafio a que me propus, tentei adaptar o conceito less is more à organização das malas de férias. Tenho a tendência de levar sempre milhentas coisas "porque pode ser preciso" ou "porque me pode apetecer vestir", o que faz com que o fardo seja grande. Aperceber-me disto é também aperceber-me  do fardo simbólico que se carrega (ah, o estilo da escrita que permite contornar a primeira pessoa do singular!!) quando não se abre mão de nada. O apego é uma coisa tramada. 

Por isso, este ano decidi escolher com muito mais parcimónia o que levar, para nós todos. Se calhar, para 3 semanas, só preciso de 3 vestidos (posso lavá-los nos entretantos). Se calhar, para 3 semanas, basta 1 casaco para a miúda, para as noites mais frias. Se calhar, para 3 semanas, bastam 2 pares de calças.

A favor:

- muito menos espaço ocupado na mala (o que, considerando o carrinho, a cama de viagem e respectivo colchão que a Diva não curte as tábuas desengonçadas que acompanham as camas de viagem, a tralha de praia, o saco das toalhas e lençóis, a mochila do computador and so on, é essencial)

- muito menos peso nos transportes 

- ausência de escolha, logo, menos uma cena que ocupa a cabeça e preocupa - o que não tem hipótese, decidido está

- espaço para recuerdos de férias

- a liberdade de não se estar apegado a nada

- nem se usou tudo

Contra:

- os 125 euros gastos numa máquina de aerossóis quando a miúda deu sinais de ranho em excesso (há que reconsiderar os "fundamentais"...)

- à entrada da semana 4, estou farta de vestir a mesma roupa

terça-feira, 27 de agosto de 2013

das vantagens de ter filhos pequenos

Ontem pesei-me, mais ou menos acidentalmente. Precisava de dar passagem, andei para o lado, e parei em cima da balança. Pronto, e olhei. E cheguei à conclusão que, apesar de ter enfardado que nem um porco nas férias, entre bolinhas com creme, farinheiras, queijo da serra, gelados e batatas fritas, eu perdi peso. Meus amigos, eu perdi peso. Não muito, é certo, porém algum.

Et voilá. Ter filhos emagrece.

domingo, 25 de agosto de 2013

saltimbanqueando

Estas férias foram cheias. Cheias de coisas novas, de experiências diferentes, de ritmos malucos... Basicamente fizemos as malas no dia 2 e ainda não voltámos a casa!

Fomos à praia.






Visitámos amigos ao centro, e vimos a S. e a "Ma-nha-nha" (nova designação da "na-na") a correr todas nuas pela casa aos risinhos histéricos e a saltar em cima da cama quase às onze da noite - fun times ahead!... As mães tiveram uma manhã para cuscar e analisar a vida em geral; os pais foram ao cinema.
  
                                           



Fomos à montanha, estivemos no pico do país e espalhámos charme, e visitámos outros amigos.

                                           


Fomos à piscina, com direito a pico no pé e a mergulho acidental.

                                            


                                           


Vimos trutas.    

                                             


Fomos jantar a dois, e fizemos planos de remodelação da nossa sala à luz do feng shui. 

                                                


Fomos aos rios, Zêzere e Mondego.

                                           


Fomos passar um dia e uma noite sozinhos os dois, mas acordámos na mesma às 7h por causa do sino da igreja.


                                                    


A S. aprendeu milhentas palavras novas: pai-ai-a (praia), pa-íii-a (palhinha), a-eia (areia), bóia, ma-é-o (amarelo),.....

A S. aprendeu que o pai tem pi-íii-nha

Eu tomei decisões profissionais. 

Nós tomámos decisões conjugais.

E agora, respirar fundo que aí vem outro ano!...



este também é um blog de moda #7

Serra da Estrela, agosto.  Malta vestida à verão, calções, tshirt, sandálias, portanto.

Ventósia desgraçada [ai as otites!!], saca de uma sweat para a miúda, com o carapuço enfiado. 

Mãe encanta-se com pantufas, a pensar no inverno e compra uma três números acima do que a piquena actualmente calça (e a senhora queria que trouxesse quatro tamanhos acima, não estejam a pensar que estou a considerar alimentá-la a adubo nos próximos 4 meses...).

Vamos experimentar a ver se ficam bem...

Conforto deve ser supremo, que miúda não as quer tirar.




A espalhar charme no pico de Portugal! 

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

meanwhile fiz anos


"Conseguia imaginar que existisse, à sua espera, não sabia onde, uma plenitude de compreensão, uma perfeição de sintonia, que cobrisse toda a gama dos seus sentimentos e sensações, desde o mais poético ao mais inteiramente físico, uma beleza de relacionamento tão transfiguradora que, à sua luz, não só ela - era evidente que esta plenitude era uma mulher - seria perfeitamente bela, mas também ele, e isso era manifestamente mais incrível, seria perfeitamente belo e perfeitamente descontraído... na presença dela não podiam existir remorsos, nem falhas, nem limitações, nada mais do que a felicidade e as mais venturosas actividades... É uma convicção a que metade das pessoas com imaginação deste mundo sucumbe com a facilidade com que os patinhos entram na água. Acreditam tanto na sua veracidade como um camelo sedento acredita que em breve chegará a uma nascente. 

É uma convicção tão insensata como seria a de um camelo que esperasse um dia beber água numa nascente que para sempre lhe matasse a sede." 

quinta-feira, 15 de agosto de 2013

este também é um blog de moda #6

Praia, bebés meninas.

Biquini. Porquê?! Oh deuses, porquê!? Parte de cima ridícula, geralmente fora do sítio. Para tapar o quê?! É uma espécie de maçã da àrvore do conhecimento antecipada, que "sexua" as miúdas claramente antes do tempo: "tem vergonha de mostrar as tuas maminhas, filha!!" 

Fato de banho inteiro. Se for para proteger do sol, ainda vá. Eu não gostava de ver a minha filha a duas cores, passado uns dias.

Tanga. Evita areias no rabinho e pipi, pode ser útil. Mas não evita xixi, e depois tem que se lavar - ou então fica ali a mijoca a ganhar bicho o que não deve ser muito simpático para a flora ali da zona.

Fralda "de praia". O xixi sai pelas bordas de qualquer maneira.

Fralda normal. Para se ver o efeito da multiplicação assim que sentam o bum bum na água. 

Todas nuinhas. Perfect. Nada como o rabinho gordo ali a abanar com areia!


terça-feira, 13 de agosto de 2013

a projecção é uma coisa que não corre bem

Desde há uns anos para cá que, para inaugurar o verão, as férias e basicamente para me aproximar de um outro mundo, mais eu, arranjo uma pulseira. De tornozelo. 

A história é antiga, o início envolve missangas brancas com risquinhas azuis e uma eu de 16 anos.  Envolve alguém que me ofereceu essas mesmas missangas, que usou numa pulseira de tornozelo mais ou menos aos 16 anos. Envolve uma mãe [não a minha, a minha só me cortou umas calças que andavam a arrastar no chão] que cortou essa pulseira por não gostar. Uma história que não é para aqui, anyway. 

De brancas e azuis passou a pulseira com guizos, numa aproximação a seres da floresta. [quero tanto aproximar-me desse mundo verde, húmido, com jogos de luz e sombra, num caminho para dentro...]

Este ano, ideia genial. Pulseira para mim, mini pulseira para a S. Nós as duas, prontas para as férias. Nós as duas, de braços abertos ao mar, à praia e à ausência de rotinas. Nós as duas, um pouco mais perto das raízes. Nós as duas, juntas num mundo mágico privado. Ideia genial número 2: arranjar para ela uma de elástico, para poder pôr e tirar com mais facilidade, caso se fartasse.

Durou 4 minutos. 



domingo, 11 de agosto de 2013

mão

Hoje, ao deitar. O ritual de sempre, lavar os dentes, mudar a fralda, assoar [otorrino dixit], descobrir o leitinho escondido algures no quarto, beber o leitinho ao colo, só com a luzinha de presença, músicas e mimo.
De repente, estica a mão para a caminha, a abri-la e fechá-la. Às vezes faz isto para ir dormir. 

Queres ir para a caminha?

[sim, com a cabeça]

Então vamos - começo a levantar-me.

Nãaaaaao!

De novo o gesto com a mão a abrir e fechar o punho e a apontar para a cama.

Queres ir para a caminha?


[sim, com a cabeça]

Vá, então vamos dormir um soninho... - começo a levantar-me.

Nãaaaaao! Nãaaaaao!

Então, filha? Não percebo o que queres....

Mãozinha a abrir e fechar e a apontar para a cama.

Queres a música do patinho? [mão a abrir e fechar também equivale a "pato"]

Não..... Nãaaaaaaaaaaaaooooooo!! - esperneia a semi-atirar-se para o chão...

Filha, eu não entendo... explica à mamã o que queres....

Mãozinha, igual.

Mão?

[sim, com a cabeça]

Queres ir para a caminha e que a mãe te dê a mão para adormeceres?


[sim, com a cabeça]

............. 

E assim foi.

Acho que estamos numa fase carente.

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

das férias

As férias dão para fazer uma sequência imensa de posts com diferentes tons e todos eles me apetecem... Do que falar das férias? Do necessário período de habituação em que ainda estamos com um pé lá e um pé cá e ainda nos custa não planear, não tentar controlar? [sim, eu sou um pouco control freak]? Do abandono a esse ritmo póprio que se desenrola por si quase magicamente, quando o próprio corpo também já se habituou às diferentes temperaturas e já não se sente atacado? De como me apercebi com grande clareza que  é tão mais fácil em grupo, com outras crianças...com famílias alargadas? De como ele me foi ajudando a deixar o casulo e entrar, com ela, num outro ritmo? Da relação que se foi construindo entre a S e a areia, e de como percebemos que ela marca o seu próprio passo? 

Talvez não. Talvez dizer apenas que a S andou de carrossel. Que comeu um gelado "de pau" inteiro sozinha. Que delirou com outras crianças. Que bebeu sumo de laranja por uma palhinha. Que descobriu duas palavras que a fazem rir, salpicou e bifão. Que comeu um cone de uma bola inteiro sozinha, e que trincou o fim do cone só porque lhe dissemos para não o fazer, deixando escorrer o resto do gelado todo por ali. Que se deitou sempre depois das 9h30. Que comeu pouca sopa. Que quis, e teve, muito colo. Que dormiu muito menos que o normal. Que comeu várias batatas fritas. Que começou a avisar/pedir para fazer xixi. Que fez xixi na toalha de praia. Três vezes. Que perdeu um chapéu e ganhou outro, mais giro. Que caiu de chapéu novo no mar com uma onda mais forte. Que percebeu o que são bolinhas com creme. Que só queria àgua do cantil do pai. 

Acho que foi uma boa primeira semana.


quinta-feira, 1 de agosto de 2013

este também é um blog de moda #5


Duas minhoquinhas de cerimónia, S. e "Na-na", minutos antes de entrarem com as alianças.

S. vestida com "o-vestido-verde-àgua-que-foi-tramado-de-encontrar-e-que-mef-ez-confrontar-com-a-existência-de-vestidos-infantis-que-custam-mais-de-200-euros-mas-que-toda-a-gente-pensa-que-é-azul"

Penteado: flor um pouco pirosa mas "com história", usada pela mãe na despedida de solteira da noiva

Awsomeness: cromossoma X.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

os meninos perdidos

Já de uma outra vez falei do parque infantil perto de nossa casa, esse epicentro de cultura educativa. Hoje e ontem, depois da escola, passámos lá um bocadinho, a aproveitar o calor do fim de dia. Sinceramente às vezes é quase uma tortura estar lá quando estão outros meninos, dependendo em grande medida dos adultos que estão com esses meninos. 

Há meninos "normais" [seja lá o que isso for...]: andam na sua vida, chateiam-se às vezes, querem as coisas dos outros [sempre muuuuuito melhores do que as suas], exploram, fazem birras, riem, correm, são curiosos por alguns outros meninos. Andam ali com os pais/avós, que os orientam, brincam com eles, estabelecem os limites necessários, nomeadamente no que diz respeito a incomodarem os outros e partilharem o espaço. Com estes, a S. lida bem; com estes pais, eu lido bem.

Há uns que são simplesmente mal educados. Chegam, mexem no que não é deles, recusam-se a emprestar os brinquedos e nunca dão a vez nos baloiços, mesmo que lá estejam há 20 minutos. Os pais estão lá e estão-se cagando para o que se passa, o que é bastante irritante porque não podemos andar a educar crianças alheias. E a nossa a sentir-se injustiçada, que é uma coisa tramada de assistir. Estes, a S. ignora; estes pais, eu faço por ignorar, sem grande sucesso.

Mas acho que há alguns que são uma espécie de meninos perdidos, desesperados por atenção. Mais velhos, chegam sozinhos, perguntam se podem brincar, metem-se na nossa brincadeira, tornam-se pequeninos outra vez. Querem agradar, são "mãezinhas" dos mais pequenos de uma forma irritante [não tenho a mania da assepsia, mas não gosto que pessoas que a minha filha não conhece de lado nenhum lhe invadam o espaço próprio com beijos e colos que ela não pediu nem deseja!]. Mas, no fundo, não querem nada com os miúdos, querem é connosco, pais/avós/tios. Querem que lhe demos atenção, que brinquemos com eles, que lhes validemos as conquistas [olha, eu consigo atirar a bola mais alto que ela!]. Não nos largam, dificultam-nos o brincar com as nossas próprias criaturas. Moem, são chatos. Têm uma espécie de ciúmes dos outros meninos. Estes, deixam a S. incomodada, enervada, com vontade de colo, de ir embora. E a mim também.

a pequeno-burguesa que há em mim foi à Cuf e gostou

Marcar consulta facilmente, para a semana seguinte, lugar para o carro, toda a gente simpática e a informar com clareza, sistema de senhas que funciona, atendimento imediato, médico atencioso, problema tratado, em meia hora tudo feito.

Era isto, mas no SNS. 

amigos

No fim de semana que passou tivemos o casamento de uns dos nossos grandes amigos. Foi um casamento muito, muito bonito, onde passámos o dia com pessoas que nos são muito queridas e com outras que, por força da vida e das circunstâncias, não vemos tantas vezes quantas gostaríamos.

A S. andou o dia todo maravilhada com as outras crianças que lá estavam (muitas, de várias idades), principalmente com a "Na-na", a filha de um casal cuja história de vida está unida à nossa de várias maneiras - são, inclusivamente, os nossos padrinhos de casamento. 

Quando a "Na-na" chegou ao hotel onde íamos ficar todos, estávamos com outros amigos a pôr a conversa em dia no jardim. E a partir daí a S. não a largou mais. Foras imediatamente as duas correr pelo jardim, a rir, apanhar pedras, e explorar buracos 

[felizmente ainda não estavam de traje de cerimónia...].
Querida S., faz amigos. Entrega-te às pessoas que achares que, por alguma razão, te puxam para elas. Conhece pessoas, faz perguntas, ouve, partilha. Aprende com elas, mesmo que seja diferente daquilo que podias pensar. E depois escolhe algumas, poucas, para Amigos. E deixa que te dêem a mão nas alturas em que precisares.





Faz amigos da mesma forma que o teu pai: fieis, leais, de partilha de dias, sem exigências e sem julgamentos. Que são importantes apenas por serem os amigos. Aqueles a quem se telefona a meio do dia só para dizer olá e que te querem em casa deles.







Faz amigos da mesma forma que a tua mãe: complicados, únicos, capazes de perceber "a dor e a delícia de se ser o que se é".










Faz amigos à tua maneira, muitos. No nosso coração cabe muita gente e é com os outros que nos construímos. 












terça-feira, 30 de julho de 2013

less is more #3


Trocar o carrinho de compras pelo cestinho e estabelecer a regra de "tem que dar para levar tudo à mão, numa única viagem"*.


*exceptuam-se situações de packs de leite e/ou papel higiénico.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

tomaitô/tomáto

Há uma diferença subtil entre "peixe espada no forno com arroz de couve" e "peixe espada dourado ao alho e limão e arroz primavera".

O primeiro come-se cá em casa.

domingo, 28 de julho de 2013

home sweet home

Depois de um fim de semana fora de casa em que Miss S. nem um gás soltou, a primeira coisa que faz quando chega a casa é uma valente cagada.

Tal pai, tal filha.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

briefing pré-férias

Filha minha que estais na Creche,
Solarengo seja o vosso humor,
Não venha a nós a vossa febre,
Seja longo o vosso descanso
Assim da noite como na sesta
O cocó nosso de cada diz fazei sempre
Deixai-nos alapar tranquilamente na praia
Assim como nós te deixaremos comer várias porcarias
E não nos façais birras em público
Mas livrai-nos do ranho
Amén.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

pipi real ou real pipi - mais do que uma questão linguística

Quem sai da maternidade um dia depois de parir a usar saltos [cunha, vá, mas ainda assim] e se senta daquela forma no banco do carro não pode, de forma alguma, ter um pipi igual ao meu.  


Por alguma razão só encontro o vídeo com as mamas censuradas. Long live Edward Snowden!

quarta-feira, 24 de julho de 2013

migalheira

Os que sobra dos dias é uma migalheira. Bocadinhos maiores e mais pequenos daquilo que foi, do que podia ter sido, do que poderá ainda ser, que ficam espalhados por cima de nós, no chão, onde for.

Se calhar durante muito tempo a minha migalheira era toda de uma espécie, a criatura que tinha saído cá de dentro e que se ajustava cá fora. Mas agora talvez haja várias outras migalhas por aqui espalhadas - que sensação de ar fresco, caramba!!

Por isso, não faz sentido o título antigo, faz sentido este. Mais amplo, mais aberto. Com mais espaço para muitas coisas, muitas pessoas. 

terça-feira, 23 de julho de 2013

estou farta de mamas

Há uma espécie de culto da amamentação que me começa a chatear de sobremaneira: ele é fotos de bebés (e crianças) a mamar por todo o lado, ele é apregoar o quão bom e maravilhoso é dar mama, ele é comparações de quanto tempo se amamentou, haja pachorra!

Que eu não seja mal interpretada: sou pró amamentação a 100%, sempre quis amamentar os meus filhos e fi-lo com prazer e onde bem me apeteceu. Há, sim, coisas muito boas de amamentar, a vários níveis, a começar na saúde dos piquenos, passando pela economia familiar, pelo conforto e facilidade do processo, e a acabar no mimo. Portanto, isto nem sequer é um "ah, mas estão verdes!"

Às vezes parece que se reduz a maternidade à equação: "boa mãe = vaca leiteira à disposição 24/7". Que se é mais do que as outras porque se amamentou até aos x meses ou anos. Que se ama mais os filhos por isso. Farta, fartinha que estou de postas no facebook sobre o amor da amamentação, as borboletas e unicórnios que saem das mamas, como o leite das mamas ou o chuchar no mamilo é solução para todo o mal das criaturas e do mundo. Qualquer dia já não é Nossa Senhora que fala à mulher do Cavaco com a solução da crise, mas é um par de mamas que vem aqui por ordem neste circo, ou não andássemos nós à mama há mais anos do que a conta.

Como dizia o outro, "Freud explica muita coisa..."


segunda-feira, 22 de julho de 2013

less is more - um desafio

Nos últimos dias li um livro que andava ali a ganhar pó na minha estante há uns meses. História do livro à parte, ele passa-se num cenário "no futuro", com avanços tecnológicos do tipo cruzamento de espécies animais e alterações genéticas para gerar animais com características específicas. Socialmente, o mundo divide-se entre os muito pobres que vivem no lixo e os que vivem em condomínios fechados assépticos. Ecologicamente, o caos - o ar poluído de tal forma que se tem que usar permanentemente uma máscara; "animais" a serem criados para alimentação, mas apenas o corpo espetado numa estaca, sem cabeça nem patas; explorações de vegetais e cereais cheias de pesticidas, alterações genéticas, etc; novas doenças criadas por farmacêuticas, para depois venderem a cura. Um desrespeito total pela Terra e pelas pessoas - cada um por si, para o seu pequeno presente hedónico. 

E de repente, a revelação, para mim, quando acabei o livro [no meio de um voo para França, cheio de pessoas a beber coca-colas]: não é o futuro. É o presente. E nós, nas nossas vidinhas, "esquecemo-nos" convenientemente de ver a big picture. Mea culpa, mea culpa, sim. 

Em teoria sim, eu sei isto tudo. Mas às vezes, se calhar, a informação é quase como uma vacina - de tanto nos bombardearem a cabeça com problemas sociais, com catástrofes ecológicas, etc., quase que ficamos imunes a que isso nos toque verdadeiramente. A que a nossa consciência abarque a imensidão do que isso é de maneira a ser propulsor de mudança. 

Cada vez mais faz sentido para mim alterar a maneira como vivemos, contrariando esta lógica doentia, consumista e desperdiçadora. Isso reflecte-se em algumas escolhas minhas e opções políticas, mas não está no meu quotidiano tanto quanto eu gostaria. Gostava de passar esses valores à minha filha. Admiro as pessoas que o fazem e às vezes vou buscar inspiração. 

E cada vez mais me interessa trazer essas coisas para a minha vida, para o dia a dia. Para que o viver "verde" deixe de ser apenas uma extravagância ou algo diferente e passe a ser a regra. Acho que às vezes me falta a coragem de sair do modo a que me acostumei de fazer as coisas. É isso, é mesmo falta de coragem às vezes. Que estupidez. Valente estupidez. Ainda bem que o livro me deu uma espécie de chamamento da realidade. 

Quero aprender a faze-lo. É um desafio que me lanço já hoje - o compromisso a tentar, cada semana, aproximar-me um pouco mais daí. 

Quem vem comigo [que isto de ter uma comunidade ajuda sempre]!?


sexta-feira, 19 de julho de 2013

quinta-feira, 18 de julho de 2013

este também é um blog de moda #4



Crocs. 


Esse pedaço de calçado feio, disforme. Sapatos de enfermeiro. 
Ui, mesmo feios. 
Eu? Nunca na vida. 
Feios.







Até os ver assim.
Fofos. Coisa boa. Que riqueza. 
"Acho que vou comprar já o nº acima antes que esgote."

A maternidade arruina-nos o bom gosto.
[e as noites, e as mamas, e a privacidade a fazer chichi, to name a few]

quarta-feira, 17 de julho de 2013

enamoramento e amor - parte II

"Hoje vamos jantar os 2 pela primeira vez desde há 18 meses".

"Só agora?!" - o ar profundamente espantado a minha vizinha e mãe de um colega da S. abalou todas as minhas defesas. Acho que foi este ar, que me entrou cá por dentro directamente ao mais fundo, que me pôs a pensar nisto. 

Perguntei a Lui-même: "Achas que eu exagero nisto?"

"Mas estás a fazer por ti ou por ela?"

"Por ela." - resposta pronta, peremptória, até verdadeira, para mim. Porque não a quero a sentir-se abandonada.

"Então acho que sim. Ela fica bem, está-se *defecando* para isso" 

Mas isto ecoou em mim todo o resto do dia.

Por ela?

Talvez não. Talvez me esteja a aperceber agora - só agora - de que essa resposta é apenas meia verdade. 

Por mim. Também por mim. Claro que também por mim. 

Mas não por necessidade de controlo, não por eu sentir saudades avassaladoras, não por querer conscientemente estar sempre.

Acho que, "simplesmente", não me apercebi que me apaixonei. Sim, apaixonei-me por ela ainda antes de ela nascer. O enamoramento é intenso, mágico, privado, não admite mais ninguém. Ocupa a cabeça sempre. Está lá sempre. Não existimos quase sem o outro. O outro, um pouco à nossa imagem e semelhança. O outro, com quem podemos ter um universo à parte de todos os outros. O outro e tudo o que envolve o outro. E o outro com a incumbência de o devolver, de alguma forma.

A passagem do enamoramento ao amor é dura. Implica dar asas ao outro. Implica que o outro seja ele próprio, separado. Que nós sejamos nós próprios, separados. Que tenhamos a nossa vida exclusiva. Implica que possamos aceitar a desilusão, a frustração, e ainda assim permanecer. Visto de um certo ângulo, é libertador.

Tenho algum receio desta passagem, confesso. Muito, até. O que fica além do enamoramento sempre foi uma coisa que me incomodou. Aliás, acho que passo grande parte da minha vida a tentar recuperar a magia do enamoramento. Ou a conciliar o possível da realidade com essa efemeridade. 

Mas quero muito poder ir sentindo encontros recorrentes no quotidiano. Com ela, e também com ele. Acho que ele é  uma peça chave da equação.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

quanto mais o tempo passa, mais hipóteses de ressaca

*Aviso à navegação e às mentes eventualmente mais polidas: eu também sou muito mal criada, graças a deus, e acho que um bom palavrão é equivalente a uma bolinha de prozac. E quem nunca disse um foda-se sentido não sabe o que perde - principalmente ao nível das úlceras*


Avancemos.

Eu ainda sou do tempo em que aguentava uma semana de bebedeira mais ou menos contínua sem fraquejar, mantendo as capacidades físicas e fisiológicas de certa forma intactas, desenvolvendo inclusivamente as capacidades intelectuais nesse interstício (falo mesmo bem castelhano quando estou com os copos, porsupuesto). 

[já vos ouço, ó almas impuras que conhecem o meu passado: o meu falecido bólide não é para aqui chamado, e isso foi só uma vez, caramba, e tinham-me roubado a carteira e as chaves de casa, e eram 6h da manhã e tinham acontecido coisas estranhas com um pato se não estou em erro - ou isso foi noutro dia? Adiante.]

A idade, essa grande filhadaputa. Ah e tal, traz sabedoria, paciência, e tudo e tudo. Traz mas é ressacas do caralho. Isso e ter um marido que me deixa beber uma garrafa de vinho praticamente sozinha. E nem sequer tinha necessidade de me embebedar para me seduzir, o sacana.

[não que isso alguma vez tivesse acontecido, ó almas!]

Sim, é triste, uma única garrafa e um fino prévio. Aqui a menina conhecida por emborcar que nem gente grande agora embebeda-se com uma única garrafa de vinho. Mas não era carrascão, vá lá, a idade e o status de pequeno-burguesia ainda permitem escolher vinho de carta - o mais barato, ou o outro logo a seguir que o mais barato já não havia [a crise chegou ao sector dos vinhos, minha gente!], mas ainda assim de carta e não aquela javardice do Souzellas ou do Violino ou do famigerado "vinho da casa" que é tipo o chinês dos vinhos: nem vale a pena pensar no que lá está dentro, serve o propósito e pronto.

Mas dizia eu, a idade. Para além da flacidez, do trabalho ridículo da gravidade sobre as glândulas mamárias (naaaaao, mas amamentar é lindo e maravilhoso, oh sim), a idade traz o aumento exponencial da ressaca e das suas consequências. A saber, e por ordem cronológica e iterativa: resregulação intestinal, mais conhecida como "o cocó de cerveja/vinho"; vontade de comer hamburgers e batatas fritas e outras pérolas igualmente salutares, enquanto se fica de pandeiro enfiado no sofá todo o dia. 

Vá lá que o culpado desta situação foi ali ao Pingo Doce comprar Pringles. 

E se calhar a tábua de queijos, o ravioli de farinheira e a noite de merda que a minha filha deu também não ajudam.






domingo, 14 de julho de 2013

fomos







Comemos uma tábua de queijos numa esplanada em frente ao mar.

Conversámos.

Pusemos em dia as nossas vidas e a nossa vida.

Falámos de ajustes possíveis.

Jantámos a ver o mar.

Falámos dela.

Bebemos uma garrafa de vinho tinto.

Demos um passeio na praia à noite.

Rimos e dissemos tolices.

Rasgámos a realidade do dia-a-dia.



E este blog tem uma nova "etiqueta" que lhe fazia muita falta!


sábado, 13 de julho de 2013

enamoramento e amor - parte I

Nunca fui daquelas mães que são capazes de deixar os filhos com os avós/tios/whatever durante grandes períodos de tempo e repetidamente. Não é propriamente uma coisa de que me orgulhe, mas é uma coisa que é verdade - e que é, aliás, contrária a uma imagem que eu poderia ter de mim própria. Adiante. Pelo contrário, sempre me custou muito fazê-lo. Sempre que aconteceu fi-lo ou "obrigada" ("vá, vai lá sair um bocado que eu fico com ela!"), ou por ter mesmo de ser (miúda doente e eu ter que trabalhar). 

É de livro o facto de isso me gerar uma grande culpabilidade. A minha questão sempre foi ela poder sentir, de alguma forma, que eu a estaria a abandonar, que ela seria um fardo para mim ou que não era suficientemente importante. O medo de que ela precisasse de mim/nós e eu/nós não estivéssemos lá. A angústia de pensar que ela poderia querer qualquer coisa que os outros não compreendessem. O pavor de que se sentisse sozinha e perdida.

Há sempre várias desculpas possíveis. Ela mamou exclusivamente até aos 6 meses. Depois mamou sem ser em exclusividade até aos 9. Não vê nenhum dos avós com a regularidade que me permitisse sentir que ela ficava tranquila. Há sempre coisas que posso apontar a cada avó, avô, tio que não gosto muito que façam com ela. Mas a verdade é que sempre que aconteceu ela ficou sempre bem. Eu já nem tanto.

Hoje nós vamos sair a 2, vamos jantar os dois pela primeira vez desde há 18 meses. Ela fica cá em casa com a tia, que lhe vai dar banho, jantar e por na cama. 

A minha filha já não é o meu bebé pequenino. E ainda que me faça muito feliz o facto de a ver autónoma, independente, com a vida "dela",  isto dói para caraças. É um bocadinho de mim que sai de mim. Um bocadinho de mim que é muito meu e, ao mesmo tempo, não me pertence. 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

como perder calorias enquanto se come

Ideia genial de moi-même: e se hoje [sábado] fossemos jantar fora? 

Resposta igualmente genial de lui-même: 'bora!

Até sábado, os nossos jantares fora eram tranquilos. Chegávamos à hora definida por nós, ela comia qualquer coisa da nossa comida, geralmente também uma sopa, e depois andava a brincar ali perto da nossa mesa e sempre no nosso ângulo de visão. O que era perfeito para podermos conversar um bocadinho e beber uma sangria como deve ser.

Pois. Acho que estamos a viver o fim de uma era.

Sábado foi assim:

Tempo para andar 20 metros até ao restaurante: 20 minutos. Sua alteza queria estar no chão e andar em sentido contrário ao que nos levaria ao nosso objectivo.

Chegada ao restaurante, descobre que há umas escadas (a descer) perto da nossa mesa e insiste em querer ir para lá. Pai salva o dia e distrai-a de regresso à mesa, onde tentamos escolher. Peço para lhe aquecerem uma sopa enquanto ela come um bocadinho de Grissinos (aqueles pauzinhos de tosta dos restaurantes italianos). Chega a sopa, come 2 colheres e não quer mais. Sai da mesa e vai correr para a varanda do restaurante a dizer "oláaaaaaaa" às pessoas. No fim da varanda há um espaço fininho onde não se deve passar para onde ela quer entrar. Alguém tem que ficar lá de plantão - é o pai enquanto eu peço a comida.
Chega a comida, tendo dar-lhe um bocadinho, não quer. Sai a outra vez da mesa e vai correr para a varanda. Vou eu atrás dela enquanto o pai devora a pizza como se não houvesse amanhã [e a sangria à espera]. Bloqueio o tal espaço fininho. Vai carregar nos botões que sobem e descem as cortinas automaticamente. Levo-a para a mesa, tentando dizer-lhe num tom de adulto que ela tem que se sentar sossegada [ai ai ai!]. Pomo-la na cadeirinha e volto a tentar dar-lhe comida. Entala o dedo na cadeirinha - choro lancinante -  e não há mais comida para ninguém. Comemos os 2 simultaneamente durante 2/3 minutos, enquanto ela atira tudo o que está ao alcance dela [nomeadamente as coisas da mesa de trás que eu tive que ir arrastar um pouco mais para trás...] para o chão [não, não, não apanhe, obrigada...]. Do mal, o menos, volta para o chão - vai correr para a varanda, mas para o outro lado. Já é a mascote dos empregados que andam atrás dela. Pai vai com ela enquanto eu acabo a massa. Entretanto, descobre uma varandinha interna no restaurante, com paredes de vidro de onde se vêm as mesas. Adora. Ri-se desalmadamente e faz "cu-cu" ao empregado. Vou render o pai, que vai acabar a pizza (acho eu, porque entretanto deixámos de ser um casal para sermos dois bombeiros a apagar fogos). Agora quer ir explorar o outro lado. Um casal com um rapaz mais ou menos da idade dela, que está a comer rodelas de maçã. Vai pedir maçã à senhora, mas depois não quer comer... Voltamos para a varanda interior. Pai vem render-me. Quando os vejo, já não é só a S., mas mais dois miúdos às voltas no restaurante.

Diz o pai: "vieram atrás dela.... Pede a conta! E deixa uma grande gorjeta...!"

Contas finais:

Duração da estadia: 35/40min.
Jantar da S.: Um grissino.
Jantar dos pais: não se recordam.
Companhia de jantar de cada um de nós: o Ted.


Ted, reflectindo sobre a vida.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

este também é um blog de moda #3

Cara P.,

Sigo o seu blog atentamente e reparei na extraordinária visão em termos de moda. Queria saber se me pode ajudar a resolver um problema: como manter um chapéu na cabeça de uma mini pessoa, sem utilizar o malfadado (e inestético) elástico ou fita? Sei que terá uma solução adequada.

Cumprimentos,
L.A. (leitor anónimo)

Caro Leitor,

Tem toda a razão, esse é um dos problemas que mais preocupa as famílias portuguesas e para o qual nem o Estado nem os Sindicatos estão ainda alerta. Sempre na vanguarda, este blog orgulha-se de ter encontrado a solução perfeita (e económica!). A saber: o leitor deve pegar num elástico de cabelo e fazer uma espécie de rabo de cavalo no chapéu. Eu prefiro atrás, mas pode ser lateral (a.k.a. Yoda-style) ou ainda frontal (Unicórnio-style), consoante a preferência. Um xuxu de fashion! 
Advertimos que este acessório não impede as criaturas de tirar o chapéu (ainda que dificulte) e de o atirarem para dentro do mar. Neste caso lamento não poder ajudar.

Ao dispor,
P.