sexta-feira, 31 de maio de 2013

prioridades

Ontem a S. riscou as leggings cinzentas todas com marcadores.

O pior?

Eu vi logo de início e optei consciente e voluntariamente por ignorar. Afinal, eu queria mesmo acabar o que estava a fazer e ela estava tão sossegadinha...

[e os marcadores são laváveis, or so I hope]

segunda-feira, 27 de maio de 2013

este também é um blog de moda #2

Ora bem, primeiro outfit analisado como paradigma do que uma bebé fashion deve usar. Tal como todos os blogs de moda, cá ficam os locais onde se podem adquirir as peças do conjunto.


 


Vestido: Kid-to-kid de Telheiras, loja em 2ª mão, já lhe vem do ano passado
Casaco: Herdado de uma amiga
Sapatos: Chicco, 15€

Cabelo: Espectacular (e simétrico!) penteado feito por moi-même 
[que julgo que durou mais de 2h, um record pessoal]

E este post está a meio caminho entre o gozar com certas pessoas que vestem os vestidos de 260 euros às filhas e o desejo de mostrar como a minha gaja é gira e fofinha e pode ficar maravilhosa sem laçarotes gigantes.

É uma espécie de TLC dos posts - sabemos que os programas são maus, estupidificam e são voyeuristas no pior dos sentidos, mas não ainda assim não conseguimos deixar de ver.

E o pior é que me cheira que isto vai ter mais do que uma temporada...

domingo, 26 de maio de 2013

quinta pedagógica dos olivais

Hoje fomos à Quinta Pedagógica dos Olivais. Já tinha ouvido falar do espaço mas ainda não tínhamos lá passado. E descobri um sítio maravilhoso! Pertence à Câmara, a entrada é gratuita, está extremamente bem cuidado, tem várias actividades (programadas) para várias idades ("veterinário por uma hora", aprender a usar as plantas como medicamentos, histórias contadas, tosquia das ovelhas...). 

Tem animais "da quinta": burros, cavalos, vacas, porcos, cabras, ovelhas, coelhos, patos e muitas galinhas que andam a passear por todo o lado [cocó, có-có - é "galinha&similares" em linguagem de S.]. Os animais são muito meigos e estão muito habituados às pessoas, por isso é possível fazer festinhas às vacas.

A S. adorou. Eu adorei. Nós adorámos.









Talvez eu tenha gostado tanto por ter estado uns dias fora e ter regressado ontem. Talvez eu tenha gostado tanto porque estivemos efectivamente os três, ou melhor, nós os dois com ela. E isto nem sempre é fácil de acontecer. Talvez eu tenha gostado tanto porque ontem houve mais um episódio de mummy's guilt [seguido de ataque de paizite da S., espectacular] e este passeio foi redentor. Talvez eu tenha gostado tanto porque ando a aprender a partilhar com ele as coisas da minha cabecinha, a conseguir esvair-me em estupidez e lágrimas de vez em quando e a aceitar algum colo. E isso cria espaço para estas coisas. Talvez.






segunda-feira, 20 de maio de 2013

mothers' guilt



Ontem ralhei à S. completamente sem razão, de uma forma brusca. Ela fez birra porque estava cansada e com sono, eu fiz birra também. Será que os pais têm direito a fazer birra?...


[e será de depois têm direito a voltar a estar bem, com eles e com os filhos, como se nada se passasse?]


Aparentemente os filhos perdoam rapidamente. Gostava de [me] perdoar a mim também.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

este também é um blog de moda, e hoje é sobre o insulto

Uma das minhas grandes amigas vai casar em Julho. E convidou a S. para ser uma das meninas das alianças, juntamente com outra filha de uma amiga nossa e duas primas, já maiores.

Sendo ela uma das minhas amigas do coração e tendo este casamento um significado muito simbólico para mim, claro que sim! Aliás, acho que este evento fez com que eu, pela primeira vez desde que ela nasceu, ande meia totó a achar piada a procurar conjuntinhos.... [eu que sempre disse que a minha filha nunca iria andar de rosa nem de folhos...]

Apesar de já ter decidido o que ela ia levar vestido (um vestido do ano passado que ainda lhe serve, com um casaquinho mais "menina" que a avó ofereceu), os planos foram alterados para corresponder ao desejo da noiva de ter as "suas" cores nas meninas das alianças. Yes, mam! Os tons do casamento são todos pastel, havendo duas cores "principais": um rosa velho e um verde água, ambos clarinhos.

Como a outra menina já um vestido rosa, ficámos com o verde água - uma distribuição que me agradou. Isto para dizer que ando há uns dias em missão obsessiva de encontrar o tal vestido, e parece que a cor não é nada comum... Em desespero de causa, fui ao El Corte Inglés, e lá vi um que tinha uma cor aproximada. Era muito de cerimónia (e eu andava à procura de qualquer coisa que ela pudesse, ainda assim, usar noutros dias), mas se fosse a única coisa que houvesse, que fosse. Perguntei o preço do tamanho 18 meses à senhora.

Ela, num olhar condescendente, reparando seguramente que as minhas leggings não condiziam com a parte de cima, que não tinha jóias e que não tenho as unhas pintadas, respondeu:

- "Este ainda tem o preço dos 6 meses... 260 euros."

Há crianças que vestem uma vez mais do que me sobra no fim do mês.

Há crianças que vestem uma vez mais do que algumas pessoas têm para comer. 

Ide à bradamerda, todos vós que acham que isto é razoável. 

terça-feira, 14 de maio de 2013

boobies... aaaaand they´re (somewhat) back!

Eu ainda sou do tempo em que as mamas eram exclusivamente uma coisa espectacular, redondinhas e consistentes, que davam imanso jeito para nos sentirmos bem e "empoderadas". Bons tempos.

Toda a gente nos diz que depois dos filhos a nossa vida nunca mais será a mesma. Tudo bem. O que ninguém nos diz é que as nossas mamas nunca mais serão as mesmas. E não são mesmo. Existem quatro períodos de transformação das mamas:

1. Pré parto: maiorzinhas, jeitosas, eventualmente mais doridas e com a auréola maior. Condizem bem com a maior "redondeza" geral e eventualmente permitem (ao gang da mama pequena), experimentar certos decotes que nunca puderam previamente ser usados por ficarem levemente ridículos. No fundo, é um bocado como a gravidez em geral: é só boas ondas e boa expectativa e ninguém pensa muito a sério no que vai acontecer a seguir. Designação das ditas: mamas ou seios.

2. Subida do leite/estabelecimento da amamentação, a.k.a. isto de ser mamífero é tramado: estão a ver aqueles balões que se enchem até à exaustão e ainda ninguém percebeu porque é que não rebentam? É mais ou menos isso, mas pior. É importante ceder à tentação de tirar leite à bomba como se não houvesse amanhã (erro de principiante cometido por moi-même, sob o olhar preocupado de uma amiga com mais experiência na coisa). Também tal como o período do pós parto: e agora o que é que eu faço com isto?! Designação das ditas: peito ou canhões.

3. Amamentação extabelecida: Porreirinho, tranquilo. Tipo pistoleiro do faroeste, é só sacar da arma e já está, mais rápido do que o choro da cria. A única questão é a assimetria permanente (uma cheia, outra vazia), que dá um ar de estrabismo mamário e impede qualquer associação directa das mamas a uma actividade sensual. É possível saber há quanto tempo é que a cria não mama pelo tamanho e pela consistência, e os mamilos têm mais calo do que o dedo médio de um escritor. Se a cria começa a espaçar as mamadas de noite dá-se o fenómeno do dilúvio em leito conjugal, igualmente incompatível com atividades sensuais. Designação das ditas: maminhas (nova impossibilidade sensual, ninguém faz amor com "maminhas") ou peito.

4. Fim da amamentação: Quem são vocês e o que fizeram às minhas mamas?! Voltem, estão perdoadas! Período triste de confronto com com a lei da gravidade. Designação das ditas: filhas da mãe.

Mas há esperança!!!

8 meses depois de deixar de amamentar, eis que elas estão, ainda que lentamente, de regresso à quase normalidade! YEAH!

segunda-feira, 13 de maio de 2013

motherhood... you're doing it right!

Ontem, no meio da brincadeira, eu finjo que estou a chorar: "sniff sniff, a mamã está triste...sniff" Uma coisa um bocado parva e que eu até nem gosto de ver os outros a fazer, mas pronto.

E ela vem toda lançada e dá-me um grande abraço e fica ali comigo imenso tempo, mesmo depois de eu ter parado.

Alguma coisinha lá vai ficando...

domingo, 12 de maio de 2013

a minha filha é uma comichosa

... que não pode estar descalça nas pedrinhas no parque nem na areia da praia. Levanta as pernas, olha para mim indignada e abana a cabeça a dizer que não, emitindo gritinhos de diva em sofrimento. 

Ou isto muda, ou estas férias vão ser bonitas...

[que raio, como é que a minha filha é assim comichosa?! Eu que sou tão cool... é mesmo um ego-killer!]

sexta-feira, 10 de maio de 2013

fios invisíveis

Há uma ligação invisível, subtil, permanente e muito forte entre mim e a minha filha. Ser testemunha deste "fio" onde vamos, melhor ou pior, colocando as coisas do dia-a-dia é um privilégio enorme. Seja o que for que aconteça no dia, o fio está lá. Sempre. E só isso é extraordinário.

O sono é, para mim, o melhor exemplo disso, porque o menos controlável e consciente. Desde que ela nasceu que eu acordo sempre uns segundos/minutos antes dela. Sempre. Quando ela mamava, e como disse uma amiga minha no outro dia, eram as mamas que acordavam primeiro, antes dela e antes de mim. Agora sou mesmo só eu que acordo. Nesta ligação que nos ultrapassa às duas e que tem um quê de sagrado.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

less is more

Anda a nascer em mim a vontade de trazer para a prática algumas coisas que reflectem uma certa busca interior, de concretizar um regresso aos básicos, de afastar o ruído, o que está a mais. 

Isto passa por reduzir, limitar, viver com "menos". Começou ontem, com o meu pequeno movimento "não beberás café na rua se há café em casa". É minúsculo, mas é um começo.  

Espero conseguir criar espaço, abandonar, ser mais livre. E ir aprendendo algumas coisas pelo caminho. E escreve-lo aqui formaliza esse compromisso, nunca estático, de o fazer.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

[do dia da mãe] "ser mãe é voltar a ser filha"

Foi uma frase que ouvi várias vezes durante o tempo que trabalhei na maternidade. Na altura, fazia-me sentido teórico. Depois percebi o sentido prático; e o menos prático; e o impraticável. E acho que o tornar-me Mãe implicou/a não só um voltar a ser filha como, e talvez essencialmente, libertar-me de ser filha.

Nunca equacionei de uma forma particularmente consciente, com uma ou duas honrosas excepções, o que queria fazer igual ou diferente daquilo que recebi. E talvez por isso [entre outras coisas] dei por mim muitas vezes a repetir padrões que não queria ou com dificuldade em acreditar na "justeza" e no "bom" dos meus próprios e únicos padrões.

Percebi várias coisas que a minha mãe fez comigo/por mim/para mim, e isso foi bom. Reconheci a força e a capacidade de dar que ela conseguiu preservar em situações difícies, e isso foi bom.
Zanguei-me com ela, zanguei-me comigo, fiquei confusa; e isso está a começar a ser bom.

O que é que eu guardo como bom daquilo que recebi e que gostaria de conseguir dar à S.?

A capacidade de falar das coisas, de usar as palavras como arma e como catarse. O amor pelo belo e a procura incessante por esse belo. A possibilidade de fuga ao comum, ao banal. O compromisso envolvido com a cidadania e a sociedade. O valor dos amigos. A magia de alguns sítios. 

O que é que eu gostava de fazer diferente ou de dar de uma outra forma à S.?

A ideia de que não estamos sempre sozinhos. A capacidade de aceitar o banal sem que isso seja medíocre. O descanso, a justeza de adiar e de não fazer. A ausência de grandes certezas. O fazer, mais do que o dizer, como guia. E dar-lhe uma Barbie, se ela quiser.




quinta-feira, 2 de maio de 2013