quarta-feira, 27 de março de 2013

Uma espécie de início

Há 15 meses, nasceu a minha filha. Há 15 meses que eu me sinto em trabalho de parto enquanto mãe. 

A mãe que eu sonhei que seria olharia para a filha acabada de nascer como se a conhecesse há muito tempo. Não olharia para ela sentindo-a por vezes um ser completamente desconhecido.

A mãe que eu sonhei que seria deixaria a filha nos avós com todo o à vontade e promoveria o contacto de todos muitas vezes. Não ficaria angustiada nem a sentir que a abandonava a estranhos.

A mãe que eu sonhei que seria era capaz de levar a filha para todo o lado, desde bebé: festas, restaurantes, you name it. Não teria uma necessidade meio paranóica de a manter num ambiente calmo, sempre em função dos ritmos dela (ou do que se pensa serem os ritmos dela).

A mãe que eu sonhei que seria ficaria traquila perante uma fase mais rabugenta, sem que isso a afectasse. Não ficaria a duvidar da sua própria competência enquanto mãe.

A mãe que eu sonhei que seria teria sempre paciência. Não lhe apeteceria gritar à filha, nem o faria nunca.

A mãe que eu sonhei que seria acharia sempre que era a melhor mãe do mundo. Não teria dúvidas permanentes sobre se o que está a fazer está bem feito.

A mãe que eu pensei que seria não é a mãe que eu sou, e estou em processo de aceitação desta realidade. Este blog é para falar sobre isso, como me apetecer, quando me apetecer e sem grandes filtros. E de outras coisas também.

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