sexta-feira, 26 de abril de 2013

como identificar a idade dos filhos através do conteúdo do carrinho de compras - uma teoria em desenvolvimento.


Idade do bebé: 0 a 3 meses


Conteúdo do carrinho: fraldas; toalhitas; mais fraldas; creme de corpo de bebé; creme de rosto de bebé; compressas não esterilizadas; compressas esterilizadas; pack de 6 bodies; creme de rabinho de bebé; outro creme de rabinho de bebé, de outra marca; camisolinha completamente dispensável mas muito fofinha; óleo de amêndoas doces para a massagem; 2 pijamas igualmente dispensáveis mas igualmente fofinhos; 3 pratos de plástico de que não se precisa no momento; pacotinhos de leite pequenos para ter no quarto e beber de noite; pack gigante de bolachas para o mesmo momento.

Quem empurra o carrinho: o pai ou ambos, com olheiras até ao chão.

Onde está o bebé: opção 1: no sling ou no carrinho, equipado com bonecos a condizer com a roupa e fraldinhas bordadas, duas chuchas esterilizadas com tampa e 4 mantas; opção 2: o meu bebé não irá para centros comerciais, esses antros de stress, germes e consumismo.

Definição de sucesso: "Comprámos tudo o que estava na lista entre 2 mamadas."

Idade do bebé: 3 a 6 meses

Conteúdo do carrinho: fraldas; um casaquinho muito fofinho; qualquer coisa ridícula e seguramente não urgente, mas que é uma desculpa para sair de casa (exemplos: um frasco de maionnaise; um pacote de massa cotovelinhos; pacote de cominhos). Geralmente menos de 5 itens no carrinho. 

Quem empurra o carrinho: quem tem ficado com o bebé em casa.

Onde está o bebé: no sling/marsúpio ou no carrinho, com bonecos que fazem barulho e têm espelhos pendurados

Definição de sucesso: "Estivemos fora de casa 2h e el@ adormeceu no caminho de regresso."


Idade do bebé: 6 a 12 meses

Conteúdo do carrinho: fraldas; papa de pêra; blédinas multifrutos; papa de maçã; iogulinos de pêra; pack de 4 "o meu primeiro danone"; cenouras biológicas; papa de maçã com pêra; blédinas de maçã; pack de 4 iogurtes naturais; cebolas biológicas; mega pack de bolacha maria de marca branca; iogulinos de banana; postas de pescada Pescanova; papa de pêra, de outra marca; abóbora biológica; pack mega poupança de Cerelac; saquinhos individuais do talho, com exactamente 90 gramas de carne cada um.

Quem empurra o carrinho: quem tem ficado com o bebé em casa.

Onde está o bebé: em casa ou na creche.

Definição de sucesso: "Pode experimentar uma coisa diferente de comer todos os dias no próximo mês."

Idade do babé: 12 a 18 meses

Conteúdo do carrinho: fraldas; livros de plástico para o banho; garrafa de vinho branco; um pacote de bolachas já aberto; um tupperware que suscitou um interesse súbito e permite 10 minutos de sossego; outro pacote de bolachas já aberto; iogurtes camuflados debaixo de pacote de cebolas; garrafa de vinho branco; queijo da marca XPTO que el@ adora, também camuflado; outra garrafa de vinho branco; um fato de treino meio feioso mas que dá um jeitão para se sujar; embalagem de lápis de cera; um pack de cerveja (passa a grade no caso de gémeos).

Quem empurra o carrinho: quem o vai buscar à escola.

Onde está o bebé: sentado no carrinho de compras, direitinho e todo contente (primeiros 10 minutos); sentado no carrinho, a estrebuchar para sair e a ficar com os sapatos e as pernas presas no processo (segundos 10 minutos); sentado no carrinho direitinho e todo contente (após abertura do pacote de bolachas #1); dentro do carrinho a atirar tudo cá para fora; ao colo enquanto o elemento parental tenta empurrar o carrinho com a mão vaga; sentado no carrinho todo contente e direitinho (após abertura do pacote de bolachas #2); a esticar-se para fora a tentar apanhar qualquer coisa; no carrinho de compras, frustrado, com ar de quem vai matar a senhora da caixa e com a cara e o cabelo cheios de migalhas de bolacha e, de novembro a abril, ranho.

Definição de sucesso: "Não chorou como se o estivesse a raptar e esfolar e não destruiu nenhuma prateleira."


À suivre....

quinta-feira, 25 de abril de 2013

a minha filha hoje zangou-se comigo: causas e consequências

Estar a crescer também significa ficar e demonstrar que se fica zangada quando nos fazem alguma coisa que não gostamos. [Agora que escrevo esta frase fico de repente muito contente por aquele meio metro de gente não só ter ficado zangado como, e sobretudo, por o ter mostrado - e ainda não tinha pensado nisto. Ah grande mulher que aí vem!! ]

Dizia eu que a S. hoje ficou zangada comigo, acho que pela primeira vez.

Causa: tendo comido gelado [= açúcar] e ter ficado formiga atómica por causa disso; tendo ido para a cama perto das 22h30 por termos ido os 3 jantar fora a celebrar o nosso aniversário de casamento; tendo andado a correr pelo Parque das Nações a horas indecentes e a querer fazer festinhas a tudo quando era bebé; tendo acordado antes das 7h da manha [yeeeeah, vivó feriado!...]; sendo 12h30 do dia seguinte e estando a cair de sono, resolve fazer birra de sono. E esta mãe vil e cruel põe-na a dormir. Primeiro de forma soft e fofinha, depois not so much. Não se faz. 

Consequências: [dormiu.] acorda e não quer nada comigo, só "paizite"; chega a tia à tarde para passar a tarde com ela e é só sorrisos e gracinhas para ela, e não quer nada comigo. Não em termos de amuo, nem sequer de me ignorar, mas a demonstrar claramente que eu estava na lista negra. 

Outras consequências: tendo saído com o N. a aproveitar a presença da tia, vejo uma mãe com um miúdo de uns 2/3 anos ao colo, na mesma esplanada que nós. Miúdo aparenta sono, e ela fica lá uns bons 20 minutos, só a cantar para ele: isto é que é uma boa mãe, eu, pelo contrário, sou terrível... abandono a minha filha com a tia para vir namorar e de certeza que nunca lhe cantei tanto tempo assim com ela sentada ao meu colo...

[Dia da liberdade?...]

quarta-feira, 24 de abril de 2013

os bebés das outras


Toda a gente sabe que os bebés são cansativos
Que deixam mamas por mamar
E sopas por acabar.

São muito muito activos, muito muito activos.
Toda a gente sabe que os bebés são cansativos.

Toda a gente sabe que os bebés são brutos
Deixam brinquedos por arrumar
E migalhas por apanhar.

E os pijamas ficam curtos, os pijamas ficam curtos.Toda a gente sabe que os bebés são brutos.

Mas os bebés das outras não
Porque os bebés das outras são
O arquétipo da perfeição
O pináculo da criação.

Dóceis criaturas, de outra espécie anã.
Que servem para fazer felizes as amigas da mamã.
E tudo os que os bebés não...Tudo que os bebés não...Tudo que os bebés não...
Os bebés das outras são
Os bebés das outras são.

Toda a gente sabe que os bebés são exigentes
Gostam de música que ninguém gosta
Nunca deixam a chucha posta.

“Não somos competentes, não somos competentes”.
Toda a gente sabe que os bebés são exigentes.

Toda a gente sabe que os bebés são animais
Que cheiram muito a cocó.
E nunca querem fazer óó.

Na na na na na na, na na na na na.
Toda a gente sabe que os bebés são animais.

Mas os bebés das outras não
Porque os bebés das outras são
O arquétipo da perfeição
O pináculo da criação.

Amáveis criaturas, de outra espécie anã.
Que servem para fazer felizes as amigas da mamã.
E tudo os que os bebés não...Tudo que os bebés não...Tudo que os bebés não...

Os bebés das outras são
Os bebés das outras são
Os bebés das outras são

*música original aqui.

se eu soubesse o que sei hoje...

... tinha obrigado o N. a ficar o mês que lhe era devido em casa. 

Só agora é que começo a perceber que ficar com um bebé de 15 dias sozinha em casa das 8h às 19h e fazer a maioria das noites durante 8 meses é uma brutalidade. 


domingo, 14 de abril de 2013

memória de passarinho

Hoje de manhã vi a S. a interagir toda contente com um bebé de 4 meses.






Estou tão tramadinha.





quinta-feira, 11 de abril de 2013

eu sou eu e o meu contrário

Comprei uma parka à S.:

(1) cor-de-rosa
(2) em primeira mão
(3) na Benetton

Oh well....

como o tolo no meio da ponte

Durante a gravidez não li nem procurei absolutamente nada sobre o depois. Sabia em pormenor o desenvolvimento do ouvido às 22 semanas e que as unhas existem a partir das 10, mas não procurei nadinha sobre o depois. Assumi sempre que conseguiríamos gerir as coisas sem manual de instruções e que as ideias que eu tinha sobre a maternidade se iriam concretizar [agora, aquele olhar do Eu-Presente para o Eu-Passado - you crazy woman... You know nothing, John Snow... !].  O que se calhar até poderia ser verdade caso eu sentisse uma maior segurança naquilo que estava a fazer, não [me] pusesse em causa em todas as situações, dormisse um pouco melhor, tivesse mais pares de mãos a partilhar os dias comigo ou, acima de tudo, confiasse na minha própria cabeça. Mas sendo que nenhuma destas condições se reuniu, o caso foi outro.

Começaram as grandes questões: porque é que ela chora quando não está ao colo? Porque é que nuns dias dorme 2 horas seguidas à tarde e noutros nem 20 minutos? Será que a devo acordar para lhe dar mama quando ela está a dormir há quase 4h durante o dia? Porque é que ela franze o sobrolho quando olha para mim? E, regra geral, associada a cada uma das grandes questões, a grandessíssima [isto teria que ser lido com o acento da minha professora da quarta classe] questão: o que é que eu estou a fazer mal?

Posto isto, vai de procurar informação. E como eu sou dada a cultivar pequenas obsessões, a procurá-la de forma exaustiva. Há mesmo muita gente que se dedica a escrever e pensar sobre estas coisas durante muito tempo das suas vidas: livros, fóruns, blogs, grupos no facebook, revistas. Centenas. Uns mais profissionais, outros profundamente amadores. Foi pior a emenda que o soneto. Porque obviamente, como em tudo o que não tem uma resposta única, há muito mais do que uma opinião. Ao ler um, acho que deve ser assim, ao ler outro, questiono o que achei há 5 minutos atrás. Um inferno permanente, que não dá descanso à minha cabecinha obsessiva e que em situações de stress procura sempre uma lógica única. Claro que faça eu o que faça, há sempre uma teoria em contrário. Há sempre alguém que faz diferente. Eu própria, passando em revista o que fiz, acho que poderia sempre ter feito de outra maneira, melhor. O que não me impediu de subscrever uma data destes grupos, de seguir alguns blogs e de ler bem mais do que uma vez os livros que me tinham dado, não fosse estar a escapar-me algum pormenor ["o que eu acabei de fazer/pensar é validado por alguém?! Se for, então está ok..."].

Estratégia dois: falar com pessoas que tiveram bebés há pouco tempo. Fraquinha. Todas a fazer melhor que eu. Todas a dar mais aos bebés delas. Todas com mais certezas. Todas a achar tudo maravilhoso ["sim, claro que é cansativo, mas é o melhor do mundo"]. A juntar-se ao inferno anterior aqui um ventinho para ajudar a propagar o fogo.

E eu sempre no meio.

Não seria capaz de deixar a minha filha a chorar à noite sozinha; mas acredito que não devo ir sempre que ela resmunga um bocadinho.
Sou defensora da amamentação a 200% mas não acho que dar mama seja a solução para todos os choros.
Acho que é preciso criar condições de segurança e tranquilidade na hora de ir para a cama, e de uma dose de mimo extra; mas também acho que, regra geral, os filhos devem adormecer sozinhos.
Acho que às vezes durante a noite os bebés precisam de miminho, mas acredito piamente que não devem dormir na cama dos pais mas sim na sua caminha.
Acho que os filhos devem ter poder de escolha em relação à quantidade que comem, sem os obrigar a comer, mas também acho que devem participar nas refeições dos pais e comer o que existe.
Acho que os filhos devem poder comer independentemente como querem, com as mãos ou os talheres, mas não acho que possam comer sempre que lhes apetece (exetuando-se obviamente quando são recém nascidos).
Acho que os filhos devem saber que os pais não os abandonam nunca, mas também que há vezes em que não estão disponíveis.
Acho que dar colo, acudir e estar presente é fundamental, mas acredito fortemente que a frustração é uma forma de amor tão importante como essa.
Acho que os filhos devem sentir que são um centro do mundo dos pais; mas que os pais também são o centro do mundo um do outro [e esta aqui às vezes é muito, muito difícil]
Tenho três slings; mas também gosto do carrinho.
Acho que devem estar com os pais ao fim do dia e brincar, mas que devem ir para a cama cedo e a horas certas durante a semana.
Sou toda a favor da criação de defesas naturais (não esterelizei praticamente nada) e acho ridículo que se tenha que lavar as mãos antes de mexer num bebé, mas acho que devemos vacinar as crianças.

Sempre no meio. Entre os que fazem o "treino do sono"  e os que dormem com eles e os vestem a toda a hora. Entre os que adormecem todos os dias e em todos os sonos os bebés na mama e aqueles que os põem acordados na cama e os deixam chorar. Entre os que os levam para todo o lado (festivais de música inclusivé) até às horas que for, e os que não saem de casa até aos 6 meses.

Sempre no meio. 

Agora, com o passar do tempo e outras coisas, torna-se mais fácil acreditar na minha cabeça. E achar que, regra geral, estamos a fazer ok. Des-subscrevi (isto existe?) os fóruns, as páginas, os blogs. Irrito-me menos quando vejo comentários de mães "perfeitas" ou que "dão tudo". 

A luta agora não é para fora, é para dentro. A comparação é de mim para comigo; do ontem para o hoje. E os critérios podem evoluir. E de certa forma isto é bom. Sem moralismos, sem receitas taxativas, principalmente sem grandes certezas. É o meu caminho do meio.

De qualquer maneira, é bom encontrar quem pense como nós, principalmente se lhe reconhecemos competência:

"A beleza do berço consiste naquilo que ele diz implicitamente: é aqui que deves estar durante a noite. Quando as crianças estão numa cama de adulto ou dormem no chão, não existe limite verdadeiro para as suas deambulações. A cama de grades é um símbolo dos limites que são necessários para os proteger durante a noite."

"Quando no Hospital Pediátrico de Boston avaliamos uma criança sem qualquer conhecimento do seu passado, ficamos satisfeitos quando vemos que ela consegue autoconfortar-se chuchando no dedo ou agarrando o seu boneco preferido. Esta criança demonstrou a priori a sua força interior. Mostra-nos que tem sido acarinhada em casa. A capacidade de autoconforto é valorizada pelos pais que são carinhosos".

T.B.Brazelton

segunda-feira, 8 de abril de 2013

mais vale tarde do que nunca...

Não, não é o caso. 

Quando a criatura adormece no carro, das duas uma: mais vale acordar logo que paramos ou mais vale continuar a dormir depois de chegar a casa. Porque depois de:

- decidir que há coisas que vão ter que ficar no carro
- tirar previamente do carro uma mochila, uma mala (e da mala a chave de casa), o saco da escola, um saco com as compras que tínhamos ido fazer, dois casacos, e um balão com pau de segurar
- diminuir o número de coisas a transportar, colocando as pequenas dentro das grandes; ficar só com uma mochila, uma mala, o saco das compras e o balão
- a tirar da cadeirinha numa posição de contorcionista porque o vizinho estacionou o carro demasiado perto do meu e a porta só abre até meio.
- com ela ao colo, por-lhe uma manta por cima (porque estava toda transpirada, a garagem é fria, já está com uma tosse de cão e não quero piorar as [minhas] noites)
- ficar toda a transpirar neste processo e por causa da dita manta
- colocar a mochila só num ombro, enquanto lhe apoio o rabo no meu joelho
- tirar do cimo do carro a mala e o tal saco de compras, com o pé apoiado na roda do carro e mais uma vez a apoiar-lhe o rabo no joelho
- colocar, ao estilo de bailarina de tango, o pau do balão na boca
- fazer o percurso até aos elevadores nestes preparos
- passar 3 portas (ou 4, se contarmos com a entrada e saída do elevador) de lado, para evitar que o balão encalhasse 
- tocar o botão do elevador com o nariz
- abrir a porta de casa que "tem um jeitinho" só com uma mão
- confiar que vou fazer o jantar com tranquilidade [e quem sabe, conseguir cortar-lhe as unhas]

...dizia eu, depois disto, não é simpático que assim que a pouse no sofá (já nem foi na cama, no sofá) abra o olho com a energia de quem acabou de dormir 3 horas.

Portanto, mais vale logo do que tarde.

Safou o dia ter conseguido encontra umas sapatilhas relativamente baratas, sem brilhantes cor de rosa, sem Hello Kitties e do tamanho dela.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

Equifinalidade

Ou "princípio segundo o qual um sistema pode atingir um estado final igual com origem em condições iniciais distintas e por meio de diversas formas e meios de desenvolvimento".

É isto. É este o mote dos últimos tempos.

Há dias em que é fácil viver sob este princípio. Como ontem. Estava sol, estava um calor simpático, o dia tinha corrido bem, vivido com tempo, almocei com uma amiga. Depois da escola, fomos ver os patos aqui ao pé de casa, demos-lhes comida (ou os bocados de pão que ela não comeu...). Encontrámos uma ninhada de patitos acabados de nascer a nadar atrás da mãe. Andámos a pé na relva. Jantámos os três também com tempo [já são 19h? é pá, é preciso fazer o jantar!]. 

E às vezes habituamo-nos a que os dias comecem a ser tranquilos [ooohhh...isto é bom...afinal eu até percebo disto, afinal eu sou uma boa mãe]. E parece tudo muito fácil.

E depois há dias em que não é fácil viver sob aquele princípio. Em que os astros não se alinham. Em que parece que só há uma forma de atingir seja que estado final for, como um serão alegre. Como o final do dia de hoje. Eu a achar que ela devia dormir um bocadinho ao fim da tarde [eu a achar]. Eu a querer dar uma volta ao armário dela, trocar as camisolas que mal lhe tapam o umbigo por camisolas de tamanho decente. Ela a não querer dormir. Ela a querer só colo, não por mimo, mas no estado "já-não-sei-o-que-quero-quero-tudo-e-não-quero-nada". Falha estratégia de cantar e embalar. Ela afasta-se com os braços, mexe as pernas de propósito para não se deixar adormecer. [imponho-lhe a minha vontade ou deixo-a decidir? Ela pode decidir? O que se joga aqui?]. Falha estratégia de sentar na cadeira. Ela empurra, empurra, chora, quer sair. [abandono a "luta" ou mantenho-me firme? Se ela levar a dela avante, que mensagem é que passo?]. Ok, time out. Abrir as persianas. Voltar à roupa, esperar que ela se entretenha [tenho que acabar isto, tenho que acabar isto]. Colo, colo. Ao colo, tira toda a roupa do armário, acabada de arrumar [pára com isso]. Tem sono e não quer dormir. Tentar de novo. Falha tudo. Choro, atira a chucha para o chão, atira o boneco para o chão. Irritação. "Sofia, já chega! Acabou a fita, ouviste?! Acabou!" [eu não quero falar assim, não quero, que má, quais patos, quais quê]. Por 2 segundos, resulta. Depois, retorno ao mesmo. Ponho-a no berço e saio. Para respirar, para sair do loop. Choro, mas pouco sentida. Pode ser que se fique [mas já são quase 19h], tenho que fazer o jantar [e o pai que não chega].

Bandeira branca. Trago-a para a cozinha, para a cadeira dela. Fazer o jantar enquanto ela vê músicas no youtube [e o pai que não chega]. Jantar cheia de sono [mas que coisa, não vê que se dormisse era tudo muito mais fácil?!], cama antes das 20h30.

Há muitas formas de se chegar a um mesmo resultado. Quando fico presa a uma, não saio do sítio. Temos que ir mais vezes aos patos. E esta chuva que não passa.



segunda-feira, 1 de abril de 2013

hora coca-cola light

Gosto imenso da escola dela. Gostei desde a primeira vez em que lá entrei e em que soube que a iria pôr lá. 

É pequena, todos se conhecem, as educadoras de todas as salas sabem o nome, as manias e a personalidade de todos os meninos, mesmo os das outras salas. Os miúdos estão tranquilos, não se ouvem gritos nem choros desalmados (nem dos miúdos nem das educadoras...), respeitam os ritmos de cada um e estão atentos. Quando ouvimos "Ela hoje esteve mais murchinha..." já sabemos que mais dia menos dia vai cair doente. Quando ela passa uma noite pior, escrevem no caderno mensageiro "Esteve bem, mas parecia um pouco cansada". Não há televisão. Quando há sol, passam todo o dia no jardim e só vão comer e dormir lá dentro.

Ela também acha que a escola é espectacular ["e isso não é bom?! devias estar contente, olha, o meu era um berreiro sempre que o ia lá pôr..."]. De tal forma que às vezes (demasiadas vezes) estamos a vir embora e ela a querer ficar [ela não gosta de mim, ela não gosta de mim]. Chorinho, tiques de exorcista (aka arquear as costas todas para trás), voltar para a porta e bater [elas aqui dão-lhe coisas que eu não consigo dar em casa, de certeza que estou a falhar em alguma coisa]. Enfim. Ponto alto na festa de Natal, em que estávamos com eles nas salas e ela preferia queria o colo da auxiliar da sala dela ao meu [ela não gosta de mim, ela não gosta de mim, não lhe sei dar as regras e o mimo que elas conseguem]. Raios as partam. 

Daí que entre as 16h e as 16h30, é sempre uma hora um bocado angustiante - vai querer vir, não vai, vem a correr para mim quando me vir, não vem... - geradora dos mais lúdicos pensamentos. 

Quinta feira, pai sai à hora do almoço (um luxo, darem a tarde na véspera de sexta-fera santa). "Vamos buscá-la os dois". Pânico. Vai de certeza correr para o pai, ignorar-me. Inspira, expira, prepara... Se for assim, ok, aceita, é a vidinha. Não vai fazer fita para sair da escola, porque vai com ele e não comigo. Inspira, expira, prepara. Se for assim, é, muito zen, muito zen.

Entramos. Apercebo-me que o pai desconhece as rotinas da tarde da escola, tem que ser guiado. Instala-se uma pequena (pequena!) segurança - é o meu departamento, ele está de visita. Porta da sala. Inspira, expira, prepara... assumir posição de retaguarda, de observação. Sair um pouco do momento, lembra-te de não forçar... Vê-o primeiro a ele. Espanto. Vê-me depois a mim. Confusão. Corre na nossa direcção. [vai ao pai, vai ao pai...]. Pára a meio sem saber para que lado ir. Olha para um, avança para perto do pai. Pára; um pequeno detour. Volta-se para mim, atira-se para mim. 

Ah.... a tranquilidade imensa.

Ah, a vitória! 

Ele está de visita. Como boa anfitriã, passo-lhe a prata da casa e fico a vê-los ir à minha frente. Com a tranquilidade de missão cumprida.