quarta-feira, 26 de junho de 2013

como perder calorias enquanto se come

Ideia genial de moi-même: e se hoje [sábado] fossemos jantar fora? 

Resposta igualmente genial de lui-même: 'bora!

Até sábado, os nossos jantares fora eram tranquilos. Chegávamos à hora definida por nós, ela comia qualquer coisa da nossa comida, geralmente também uma sopa, e depois andava a brincar ali perto da nossa mesa e sempre no nosso ângulo de visão. O que era perfeito para podermos conversar um bocadinho e beber uma sangria como deve ser.

Pois. Acho que estamos a viver o fim de uma era.

Sábado foi assim:

Tempo para andar 20 metros até ao restaurante: 20 minutos. Sua alteza queria estar no chão e andar em sentido contrário ao que nos levaria ao nosso objectivo.

Chegada ao restaurante, descobre que há umas escadas (a descer) perto da nossa mesa e insiste em querer ir para lá. Pai salva o dia e distrai-a de regresso à mesa, onde tentamos escolher. Peço para lhe aquecerem uma sopa enquanto ela come um bocadinho de Grissinos (aqueles pauzinhos de tosta dos restaurantes italianos). Chega a sopa, come 2 colheres e não quer mais. Sai da mesa e vai correr para a varanda do restaurante a dizer "oláaaaaaaa" às pessoas. No fim da varanda há um espaço fininho onde não se deve passar para onde ela quer entrar. Alguém tem que ficar lá de plantão - é o pai enquanto eu peço a comida.
Chega a comida, tendo dar-lhe um bocadinho, não quer. Sai a outra vez da mesa e vai correr para a varanda. Vou eu atrás dela enquanto o pai devora a pizza como se não houvesse amanhã [e a sangria à espera]. Bloqueio o tal espaço fininho. Vai carregar nos botões que sobem e descem as cortinas automaticamente. Levo-a para a mesa, tentando dizer-lhe num tom de adulto que ela tem que se sentar sossegada [ai ai ai!]. Pomo-la na cadeirinha e volto a tentar dar-lhe comida. Entala o dedo na cadeirinha - choro lancinante -  e não há mais comida para ninguém. Comemos os 2 simultaneamente durante 2/3 minutos, enquanto ela atira tudo o que está ao alcance dela [nomeadamente as coisas da mesa de trás que eu tive que ir arrastar um pouco mais para trás...] para o chão [não, não, não apanhe, obrigada...]. Do mal, o menos, volta para o chão - vai correr para a varanda, mas para o outro lado. Já é a mascote dos empregados que andam atrás dela. Pai vai com ela enquanto eu acabo a massa. Entretanto, descobre uma varandinha interna no restaurante, com paredes de vidro de onde se vêm as mesas. Adora. Ri-se desalmadamente e faz "cu-cu" ao empregado. Vou render o pai, que vai acabar a pizza (acho eu, porque entretanto deixámos de ser um casal para sermos dois bombeiros a apagar fogos). Agora quer ir explorar o outro lado. Um casal com um rapaz mais ou menos da idade dela, que está a comer rodelas de maçã. Vai pedir maçã à senhora, mas depois não quer comer... Voltamos para a varanda interior. Pai vem render-me. Quando os vejo, já não é só a S., mas mais dois miúdos às voltas no restaurante.

Diz o pai: "vieram atrás dela.... Pede a conta! E deixa uma grande gorjeta...!"

Contas finais:

Duração da estadia: 35/40min.
Jantar da S.: Um grissino.
Jantar dos pais: não se recordam.
Companhia de jantar de cada um de nós: o Ted.


Ted, reflectindo sobre a vida.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

este também é um blog de moda #3

Cara P.,

Sigo o seu blog atentamente e reparei na extraordinária visão em termos de moda. Queria saber se me pode ajudar a resolver um problema: como manter um chapéu na cabeça de uma mini pessoa, sem utilizar o malfadado (e inestético) elástico ou fita? Sei que terá uma solução adequada.

Cumprimentos,
L.A. (leitor anónimo)

Caro Leitor,

Tem toda a razão, esse é um dos problemas que mais preocupa as famílias portuguesas e para o qual nem o Estado nem os Sindicatos estão ainda alerta. Sempre na vanguarda, este blog orgulha-se de ter encontrado a solução perfeita (e económica!). A saber: o leitor deve pegar num elástico de cabelo e fazer uma espécie de rabo de cavalo no chapéu. Eu prefiro atrás, mas pode ser lateral (a.k.a. Yoda-style) ou ainda frontal (Unicórnio-style), consoante a preferência. Um xuxu de fashion! 
Advertimos que este acessório não impede as criaturas de tirar o chapéu (ainda que dificulte) e de o atirarem para dentro do mar. Neste caso lamento não poder ajudar.

Ao dispor,
P.


domingo, 23 de junho de 2013

evolução

E como agora não se sabe quanto tempo dura o verão, fomos aproveitar a manhã de domingo.

Depois de um período inicial de comichosisse, acho que os pés da S. e a areia ficaram grandes amigos [o banco do carro também, mas isso é outra história...] !


quinta-feira, 20 de junho de 2013

festa da escola

É amanhã. É a primeira.




E eu não vou. Porque tenho mesmo que estar a trabalhar fora de Lisboa. 


[Aquele sentimento de estar a falhar-lhe]

quarta-feira, 19 de junho de 2013

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Murphy #2

É quando relaxas e assumes que a bicharada já passou, depois de dois dias normais, que ela irá acordar com uma temperatura que não é febre mas também não é normal. 

À sexta feira.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

politicamente incorrecto

Os filhos dos outros são chatos. Quando digo outros, são outros que não nos sejam nada e, por conseguinte, cujos filhos não podem ser "comandados" por nós. E, principalmente, outros que não estejam presentes.

O parque infantil perto de nossa casa tem um cabeleireiro em frente e um café atrás do cabeleireiro. Hoje de manhã, primeira saída de casa desde que a miúda fica doente, vamos aos baloiços. Aparece uma outra miúda, mais velha, com a irmã, adolescente ou talvez um pouco mais velha. A irmã quer ir ao café, a miúda quer ficar nos baloiços. Tentativas várias de "suborno" [eu compro-te um chupa], mas a miúda não arreda pé dos baloiços.

"Então olha, tchau". E vai airosa para o café, deixando a criaturinha no parte, comigo e com a S. 

Mas quem é que lhe diz que a mim me apetece tomar conta da miúda?! 

Bom, tudo ok... geralmente gosto e corre bem quando há outros putos. Problema: só há um baloiço e, logicamente, é o Santo Graal do parque infantil e ambas querem andar. 

A S. estava a andar toda feliz [feliz como quem já não sai de casa há 5 dias e está finalmente a apanhar um arzinho...] e eu tive que ir dizendo "Agora ela está a andar, quando ela sair vais tu", etc. etc. 

Entretanto, a irmã, já com um café tranquilo no bucho, chega e diz "Ó R. eu vou aqui ao cabeleireiro!" e entra no dito estabelecimento.

Passado um bocado, lá tiro a minha e ponho a outra que - dado ao pequeno tamanho e pouca idade - não sabe dar balanço. Lá dou balanço, com a minha a choramingar porque também queria andar. Toca de distrair a S. um bocado com outras coisas, lálálálá, que linda bola, olha o escorrega, olha as folhinhas.... e de dar pequena lição de sociedade: tem que se esperar, todos os meninos podem andar um bocadinho e tu já andaste, o baloiço não é da S., é de todos os meninos...E depois daquilo que me parece um intervalo de tempo semelhante ao que a S. andou, lá vou eu: 

"olha, agora anda ela outra vez um bocadinho, ok? Depois ela sai e andas tu". 

"NÃO"

"vá lá, tem que ser, é uma de cada vez, tu agora já andaste..."

"EU QUERO!!"

"Sim, querem as duas, mas agora tu podes brincar aqui com esta bola...."

"NÃAAO!"

Se fosse minha/dos meus, saia dali. Eu pegava-lhe, tirava-a, ia com ela para outro sítio e, se fosse preciso, impunha-me. Mas não era minha. Não se pode agarrar em filhos alheios que estão aos gritos.

Começa a subir por mim uma coisinha má de mãe raposa [afinal, estava a tirar o lugar da minha filha, que já tinha esperado...] e toca de ir ao cabeleireiro, onde sua excêlencia fazia tranquilamente madeixas.: "Olhe, não se importa de ir tirar ali a sua irmã do baloiço... elas estão a andar à vez, mas ela não quer sair e eu não a posso obrigar..."

E o que acontece? Vai ajudante da cabeleireira, que aparentemente não conhecia a miúda de lado nenhum, distraí-la para o parque, e ainda ficam todas a olhar para mim como se eu fosse a mãe mais egoísta do mundo que odeia crianças e só protege a filha.

Mais umas voltas, tiro a S. outra vez. Lá vai a miúda tentar [lembrar que ela não consegue andar sozinha] andar, e eu a distrair a S. Não conseguindo, vem para ao pé de nós. Agora quer beber a nossa água, andar no carrinho da S. E a irmã no cabeleireiro, de pandeiro sentado na cadeira massajadora, a ver pela janela. Vou distrair a S. para o labirinto, com a bola [S. a estrebuchar porque quer o baloiço], miúda vem atrás: "EU QUERO a bola!!"

"Ok, então toma a bola, se não queres andar vamos nós para o baloiço."

"NÃO!! EU QUERO andar!!"

Transformo-me eu numa miúda de 5 anos eu própria e corro para o baloiço, evidentemente mais rápido que a meia-leca.

[mas o que é isto?! Agora és miúda também?? Vá.... sê adulta...]

Espécie de guerra territorial entre mim e uma minorca. A lei do mais forte prevalece. 

Mais fraco recolhe para dentro do cabeleireiro, de onde irmã, cabeleireira e ajudante me olham com olhar reprovador. 

...

Todos os putos são egoístas e egocêntricos. Mas a mim só me cabe a parte de ensinar os meus a partilhar. 

Eu disse que era politicamente incorrecto. Nestas coisas de crias, a necessidade dos meus prevalece sobre a necessidade dos outros ou colectivo.

terça-feira, 11 de junho de 2013

reality check

Era uma vez uma família que tinha planos para ir passar três dias ao paraíso. 

E depois era uma vez a realidade, que atacou em duas frentes. Uma, o tempo: passou de um sol e calor de Verão a uma merdasca cinzenta e com chuva. Duas, a mais pequena fica doente, com direito a ir às urgências e receber uma pulseira laranja. Yeah!

É a chamada Lei de Murphy Familiar #1: 

Se tens planos de ir de férias/fim de semana, a miudagem irá ficar doente.

Portanto, em vez de àgua do mar no mar, temos àgua do mar em spray. Em vez de nos despirmos por causa do calor, despimo-la por causa da febre. Em vez de dormirmos menos por estarmos a curtir o sítio, estamos a dormir menos por causa da tosse e do vómito. 

É para não nos armarmos em snobs e querermos ir passar uns dias a Cascais. 

sexta-feira, 7 de junho de 2013

do what you lov'lov'love

Raios partam a vidinha, o dia a dia, o trânsito, o facebook e a marmita.

Raios partam o fim do mês, a prestação da escola, o "já não há cebolas".

Raios partam a televisão, o telemóvel, os alarmes dos carros.

Raios partam a preguiça para sair disto.




Fechar os olhos e conseguir imaginar o que poderia ser.

Vasos com ervas na cozinha.

Tempo, e mais tempo. E aproveitar o tempo.

Fazer coisas com as mãos.

Tempo. E não sentir passar o tempo.

Amigos, e comida e bebida.

Tempo.

Janelas do carro abertas até ao fim e parar num miradouro.

Com tempo.

Pele(s) com pele(s).

Atempadamente.

Fruta doce, queijo salgado.




Amanhã vamos sair daqui.


sábado, 1 de junho de 2013

you are the special one

Cresci com a mensagem "tu não és mais do que os outros". É uma mensagem válida, no sentido da humildade, do respeito e de não invadir o espaço de ninguém. Aliás, há talvez muita gente (miúdos e graúdos) que acham que são mais do que os outros. 

Mas, como contraponto, cresci com o vazio de não me sentir especial. De não sentir que eu estava em primeiro lugar. De não sentir que havia coisas que eu merecia apenas pelo facto de existir. E acho que isso deixou algum buraco complicado de gerir.

O que mais me aterroriza é pensar que a S. possa crescer da mesma forma. Está a tornar-se muito claro que o que eu mais quero que ela sinta [não que saiba, mas que sinta]  é que, para nós, ela é a mais especial de todos que que, sim, há que dizê-lo com toda a frontalidade, que é, para nós, mais do que os outros. E que o é apenas por existir.




[já agora, e como é que isso se faz?...]