Os bebés cheiram bem. Cheiram muito bem. Têm aquele cheirinho quente, doce, viciante, "nosso". Que parece que nunca se esgota. Por mais que snifemos tudo, há sempre mais um bocadinho. E, assim, é difícil retirar a cara (e o nariz!) daquela cabecinha. A natureza faz a coisa bem feita - por mais vontade que tenhamos de os atirar pela janela ou fechar no quarto, o cheirinho acaba por vencer e por nos manter ali. Tudo neles cheira bem.
Depois, há um dia em que descobrimos que já não cheiram (sempre) a bebé. Cheiram a criança. Cheiram a transpiração. Cheiram a restos de sopa e de bolacha. Cheiram a outras crianças. Cheiram aos sítios onde andaram com as mãos. E às vezes cheiram mesmo mal...
terça-feira, 10 de setembro de 2013
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
that kind of mum.
Hoje a S. saiu de casa para a escola com um saco contendo um tupperware com bolachinhas em forma de animais que fizemos ontem com forminhas, com uma nota dizendo que eram para os meninos da escola e rabiscada por ela.
Tornei-me numa mãe dos suburbios. Onde está o meu jardineiro musculado?
Tornei-me numa mãe dos suburbios. Onde está o meu jardineiro musculado?
sexta-feira, 6 de setembro de 2013
sweet 16 - se eu soubesse o que sei hoje
Por causa de um comentário de um amigo hoje no facebook, viajei de repente até aos meus 16 anos.
Olhados daqui já à distancia, parecem-me doces como uvas maduras, cheios de esperança, de ilusões, de fins de tarde prolongados, de toques fugidios. Parecem-me saudosamente belos, com borboletas na barriga. Parecem-me o crepúsculo da manhã ou da tarde, cheios de promessas, cheios de desconhecido, cheios de madrugadas. Um rio que quase transborda de cheio, onde o reflexo sorri trocista por saber que o resto do mundo não interessa, onde o frio da água nas mãos faz pele de galinha e arrepios, e por isso é tão bom.
"Se eu soubesse o que sei hoje", os meus 16 anos teriam sido mais insípidos, com menos cor e com muito menos vida. Se eu soubesse o que sei hoje, não me teria apaixonado da mesma maneira, nem talvez pela(s) mesma(s) pessoa(s). Se eu soubesse o que sei hoje, não teria começado a fumar clandestinamente, aprendendo a custo a travar o fumo. Se eu soubesse o que sei hoje não teria, talvez, feito o percurso profissional que eu fiz. Se eu soubesse o que sei hoje, não me teria encantado com o mundo, com certas paisagens, com certos cheiros, com certas casas. Se eu soubesse o que sei hoje não teria, na altura, sacralizado certos momentos, certas memórias, certas reconstruções.
Ainda bem que não sabia o que sei hoje.
Que a minha filha não saiba o que eu sei hoje aos 16 anos. [e também, que não saiba algumas das coisas que eu sabia aos 16 anos - e não, não têm nada a ver com sexo, aí lhe desejo tudo a que tem direito]
Olhados daqui já à distancia, parecem-me doces como uvas maduras, cheios de esperança, de ilusões, de fins de tarde prolongados, de toques fugidios. Parecem-me saudosamente belos, com borboletas na barriga. Parecem-me o crepúsculo da manhã ou da tarde, cheios de promessas, cheios de desconhecido, cheios de madrugadas. Um rio que quase transborda de cheio, onde o reflexo sorri trocista por saber que o resto do mundo não interessa, onde o frio da água nas mãos faz pele de galinha e arrepios, e por isso é tão bom.
"Se eu soubesse o que sei hoje", os meus 16 anos teriam sido mais insípidos, com menos cor e com muito menos vida. Se eu soubesse o que sei hoje, não me teria apaixonado da mesma maneira, nem talvez pela(s) mesma(s) pessoa(s). Se eu soubesse o que sei hoje, não teria começado a fumar clandestinamente, aprendendo a custo a travar o fumo. Se eu soubesse o que sei hoje não teria, talvez, feito o percurso profissional que eu fiz. Se eu soubesse o que sei hoje, não me teria encantado com o mundo, com certas paisagens, com certos cheiros, com certas casas. Se eu soubesse o que sei hoje não teria, na altura, sacralizado certos momentos, certas memórias, certas reconstruções.
Ainda bem que não sabia o que sei hoje.
Que a minha filha não saiba o que eu sei hoje aos 16 anos. [e também, que não saiba algumas das coisas que eu sabia aos 16 anos - e não, não têm nada a ver com sexo, aí lhe desejo tudo a que tem direito]
quinta-feira, 5 de setembro de 2013
o nome da criança
A minha filha pensa que uma parte desta música lhe é dedicada.
Pergunta para queijinho: qual o nome da criança?
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
"eu fiz o que gostava que fizessem comigo"
Ando há algum tempo para escrever este post. Ele está na mina cabeça mas ainda não tinha encontrado uma maneira de sair como deve ser.
Há uma certa crença de que, se fizermos aos outros aquilo que gostávamos que nos fizessem a nós, então todas as nossas acções terão que ser aceites, desculpadas e louváveis. Tenho vindo a pensar que esta lógica é muito falível, para não dizer egoísta. Se eu acho que os outros devem querer e gostar do que eu lhes estou a fazer ou da forma como os estou a tratar apenas porque isso seria o que eu gostaria que me fizessem numa situação semelhante, estou a assumir que todos serão (ou, melhor, deveriam ser) como eu. E que, por conseguinte, essa será a "boa" maneira de ser.
Acontece que não é verdade. As pessoas não são, felizmente, todas iguais a mim ou a ninguém. E, portanto, se eu quando estou feliz gosto de ir jantar fora, não significa que Fulaninho deva achar que eu sou a maior porque o convido para jantar quando ele está feliz. Se quando estou chateada gosto que me deixem em paz, então não tenho que gostar que Sicraninho me venha oferecer bolinhos à porta, apenas porque Sicraninho gosta de bolinhos quando está chateado.
Aproximar-se do outro é, penso eu, fazer precisamente o contrário: fazer aquilo que achamos que o outro gostaria. Às vezes o outro diz-nos o que quer, o que é perfeito porque, embora possa não ser a nossa maneira de agir, sabemos que ao respeitá-lo, estamos a fazer algo por ele. Outras vezes, não raramente, não diz. Aí é mais complicado. Podemos errar, podemos acertar... e podemos também perguntar - assumindo a humildade de não ter todas as respostas. Mas com a certeza de que não estamos a olhar o mundo através do nosso próprio umbigo.
Há uma certa crença de que, se fizermos aos outros aquilo que gostávamos que nos fizessem a nós, então todas as nossas acções terão que ser aceites, desculpadas e louváveis. Tenho vindo a pensar que esta lógica é muito falível, para não dizer egoísta. Se eu acho que os outros devem querer e gostar do que eu lhes estou a fazer ou da forma como os estou a tratar apenas porque isso seria o que eu gostaria que me fizessem numa situação semelhante, estou a assumir que todos serão (ou, melhor, deveriam ser) como eu. E que, por conseguinte, essa será a "boa" maneira de ser.
Acontece que não é verdade. As pessoas não são, felizmente, todas iguais a mim ou a ninguém. E, portanto, se eu quando estou feliz gosto de ir jantar fora, não significa que Fulaninho deva achar que eu sou a maior porque o convido para jantar quando ele está feliz. Se quando estou chateada gosto que me deixem em paz, então não tenho que gostar que Sicraninho me venha oferecer bolinhos à porta, apenas porque Sicraninho gosta de bolinhos quando está chateado.
Aproximar-se do outro é, penso eu, fazer precisamente o contrário: fazer aquilo que achamos que o outro gostaria. Às vezes o outro diz-nos o que quer, o que é perfeito porque, embora possa não ser a nossa maneira de agir, sabemos que ao respeitá-lo, estamos a fazer algo por ele. Outras vezes, não raramente, não diz. Aí é mais complicado. Podemos errar, podemos acertar... e podemos também perguntar - assumindo a humildade de não ter todas as respostas. Mas com a certeza de que não estamos a olhar o mundo através do nosso próprio umbigo.
é isto, minhoca, que eu quero para ti.
"I wish you enough sun to keep your attitude bright.
I wish you enough rain to appreciate the sun more.
I wish you enough happiness to keep your spirit alive.
I wish you enough pain so that the smallest joys in life appear much bigger.
I wish you enough gain to satisfy your wanting.
I wish you enough loss to appreciate all that you possess.
I wish enough "Hello's" to get you through the final "Good-bye"."
I wish you enough rain to appreciate the sun more.
I wish you enough happiness to keep your spirit alive.
I wish you enough pain so that the smallest joys in life appear much bigger.
I wish you enough gain to satisfy your wanting.
I wish you enough loss to appreciate all that you possess.
I wish enough "Hello's" to get you through the final "Good-bye"."
terça-feira, 3 de setembro de 2013
Eu, pecadora, me confesso
Há momentos na vida em que uma pesso panica. Fica com visão em túnel e faz coisas que no seu perfeito juízo não faria. Segundos depois de a coisa acontecer, apercebe-se da sua tremenda idiotice. São situações limite, situações extremas, situações em que é preciso agir com rapidez.
Como ontém.
Fomos à praia as duas, para aproveitar a última oportunidade antes do regresso, em pleno, ao trabalho e à Creche. Chegadas lá, tiro a fralda normal e coloco a fralda de praia à S. que, segundos depois, faz um xixi. Fralda inutilizável, sem fralda de substituição (erro de principiante #1). Bom, fica toda nuinha, que até é como eu gosto mais. Tralálá, vamos para a água, que bom que bom, lálálá...
De repente:
- Mamã! Ti-ti! (= xixi)
- Ó filha, tudo bem, faz aí no mar... [que atire a primeira pedra quem nunca o fez]
Acontece que a minha filha tinha uma maior ambição. Vejo-a a colocar-se em pose de ataque, vejo-a ficar mais vermelha na cara, vejo-a ficar com pele de galinha. E depois vejo-o a ele. Um rolinho perfeito.
Pânico. Estamos tão longe das nossas coisas!
Olhar em volta, à procura de testemunhas oculares. Nenhuma. A ocasião faz o ladrão, or so they say... Toda de fazer uma buraquinho, enterrar o dito, fazer uma pirâmidezinha de areia em tempo record em cima do dito e rezar para que ninguém o pise, abandonando posteriormente o local a assobiar para o lado.
E depois, a vergonha, o "como é possível teres feito isso?", "que falta de civismo", entre outros. È verdade, mea culpa, mea culpa. A maternidade tira-nos o juízo, já devia saber.
E vir para casa a pensar todo o caminho: mas é biodegradável, certo? Garrafas de plástico é bem pior....
Como ontém.
Fomos à praia as duas, para aproveitar a última oportunidade antes do regresso, em pleno, ao trabalho e à Creche. Chegadas lá, tiro a fralda normal e coloco a fralda de praia à S. que, segundos depois, faz um xixi. Fralda inutilizável, sem fralda de substituição (erro de principiante #1). Bom, fica toda nuinha, que até é como eu gosto mais. Tralálá, vamos para a água, que bom que bom, lálálá...
De repente:
- Mamã! Ti-ti! (= xixi)
- Ó filha, tudo bem, faz aí no mar... [que atire a primeira pedra quem nunca o fez]
Acontece que a minha filha tinha uma maior ambição. Vejo-a a colocar-se em pose de ataque, vejo-a ficar mais vermelha na cara, vejo-a ficar com pele de galinha. E depois vejo-o a ele. Um rolinho perfeito.
Pânico. Estamos tão longe das nossas coisas!
Olhar em volta, à procura de testemunhas oculares. Nenhuma. A ocasião faz o ladrão, or so they say... Toda de fazer uma buraquinho, enterrar o dito, fazer uma pirâmidezinha de areia em tempo record em cima do dito e rezar para que ninguém o pise, abandonando posteriormente o local a assobiar para o lado.
E depois, a vergonha, o "como é possível teres feito isso?", "que falta de civismo", entre outros. È verdade, mea culpa, mea culpa. A maternidade tira-nos o juízo, já devia saber.
E vir para casa a pensar todo o caminho: mas é biodegradável, certo? Garrafas de plástico é bem pior....
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