segunda-feira, 6 de maio de 2013

[do dia da mãe] "ser mãe é voltar a ser filha"

Foi uma frase que ouvi várias vezes durante o tempo que trabalhei na maternidade. Na altura, fazia-me sentido teórico. Depois percebi o sentido prático; e o menos prático; e o impraticável. E acho que o tornar-me Mãe implicou/a não só um voltar a ser filha como, e talvez essencialmente, libertar-me de ser filha.

Nunca equacionei de uma forma particularmente consciente, com uma ou duas honrosas excepções, o que queria fazer igual ou diferente daquilo que recebi. E talvez por isso [entre outras coisas] dei por mim muitas vezes a repetir padrões que não queria ou com dificuldade em acreditar na "justeza" e no "bom" dos meus próprios e únicos padrões.

Percebi várias coisas que a minha mãe fez comigo/por mim/para mim, e isso foi bom. Reconheci a força e a capacidade de dar que ela conseguiu preservar em situações difícies, e isso foi bom.
Zanguei-me com ela, zanguei-me comigo, fiquei confusa; e isso está a começar a ser bom.

O que é que eu guardo como bom daquilo que recebi e que gostaria de conseguir dar à S.?

A capacidade de falar das coisas, de usar as palavras como arma e como catarse. O amor pelo belo e a procura incessante por esse belo. A possibilidade de fuga ao comum, ao banal. O compromisso envolvido com a cidadania e a sociedade. O valor dos amigos. A magia de alguns sítios. 

O que é que eu gostava de fazer diferente ou de dar de uma outra forma à S.?

A ideia de que não estamos sempre sozinhos. A capacidade de aceitar o banal sem que isso seja medíocre. O descanso, a justeza de adiar e de não fazer. A ausência de grandes certezas. O fazer, mais do que o dizer, como guia. E dar-lhe uma Barbie, se ela quiser.




1 comentário:

  1. Como eu te entendo P :)
    Gostei da reflexão nas palavras e do reflexo na imagem! Beijokas e Obrigada, once again :p
    C*

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