Os filhos dos outros são chatos. Quando digo outros, são outros que não nos sejam nada e, por conseguinte, cujos filhos não podem ser "comandados" por nós. E, principalmente, outros que não estejam presentes.
O parque infantil perto de nossa casa tem um cabeleireiro em frente e um café atrás do cabeleireiro. Hoje de manhã, primeira saída de casa desde que a miúda fica doente, vamos aos baloiços. Aparece uma outra miúda, mais velha, com a irmã, adolescente ou talvez um pouco mais velha. A irmã quer ir ao café, a miúda quer ficar nos baloiços. Tentativas várias de "suborno" [eu compro-te um chupa], mas a miúda não arreda pé dos baloiços.
"Então olha, tchau". E vai airosa para o café, deixando a criaturinha no parte, comigo e com a S.
Mas quem é que lhe diz que a mim me apetece tomar conta da miúda?!
Bom, tudo ok... geralmente gosto e corre bem quando há outros putos. Problema: só há um baloiço e, logicamente, é o Santo Graal do parque infantil e ambas querem andar.
A S. estava a andar toda feliz [feliz como quem já não sai de casa há 5 dias e está finalmente a apanhar um arzinho...] e eu tive que ir dizendo "Agora ela está a andar, quando ela sair vais tu", etc. etc.
Entretanto, a irmã, já com um café tranquilo no bucho, chega e diz "Ó R. eu vou aqui ao cabeleireiro!" e entra no dito estabelecimento.
Passado um bocado, lá tiro a minha e ponho a outra que - dado ao pequeno tamanho e pouca idade - não sabe dar balanço. Lá dou balanço, com a minha a choramingar porque também queria andar. Toca de distrair a S. um bocado com outras coisas, lálálálá, que linda bola, olha o escorrega, olha as folhinhas.... e de dar pequena lição de sociedade: tem que se esperar, todos os meninos podem andar um bocadinho e tu já andaste, o baloiço não é da S., é de todos os meninos...E depois daquilo que me parece um intervalo de tempo semelhante ao que a S. andou, lá vou eu:
"olha, agora anda ela outra vez um bocadinho, ok? Depois ela sai e andas tu".
"NÃO"
"vá lá, tem que ser, é uma de cada vez, tu agora já andaste..."
"EU QUERO!!"
"Sim, querem as duas, mas agora tu podes brincar aqui com esta bola...."
"NÃAAO!"
Se fosse minha/dos meus, saia dali. Eu pegava-lhe, tirava-a, ia com ela para outro sítio e, se fosse preciso, impunha-me. Mas não era minha. Não se pode agarrar em filhos alheios que estão aos gritos.
Começa a subir por mim uma coisinha má de mãe raposa [afinal, estava a tirar o lugar da minha filha, que já tinha esperado...] e toca de ir ao cabeleireiro, onde sua excêlencia fazia tranquilamente madeixas.: "Olhe, não se importa de ir tirar ali a sua irmã do baloiço... elas estão a andar à vez, mas ela não quer sair e eu não a posso obrigar..."
E o que acontece? Vai ajudante da cabeleireira, que aparentemente não conhecia a miúda de lado nenhum, distraí-la para o parque, e ainda ficam todas a olhar para mim como se eu fosse a mãe mais egoísta do mundo que odeia crianças e só protege a filha.
Mais umas voltas, tiro a S. outra vez. Lá vai a miúda tentar [lembrar que ela não consegue andar sozinha] andar, e eu a distrair a S. Não conseguindo, vem para ao pé de nós. Agora quer beber a nossa água, andar no carrinho da S. E a irmã no cabeleireiro, de pandeiro sentado na cadeira massajadora, a ver pela janela. Vou distrair a S. para o labirinto, com a bola [S. a estrebuchar porque quer o baloiço], miúda vem atrás: "EU QUERO a bola!!".
"Ok, então toma a bola, se não queres andar vamos nós para o baloiço."
"NÃO!! EU QUERO andar!!"
Transformo-me eu numa miúda de 5 anos eu própria e corro para o baloiço, evidentemente mais rápido que a meia-leca.
[mas o que é isto?! Agora és miúda também?? Vá.... sê adulta...]
Espécie de guerra territorial entre mim e uma minorca. A lei do mais forte prevalece.
Mais fraco recolhe para dentro do cabeleireiro, de onde irmã, cabeleireira e ajudante me olham com olhar reprovador.
...
Todos os putos são egoístas e egocêntricos. Mas a mim só me cabe a parte de ensinar os meus a partilhar.
Eu disse que era politicamente incorrecto. Nestas coisas de crias, a necessidade dos meus prevalece sobre a necessidade dos outros ou colectivo.
Chata era a irmã dela, C'um caraças. A miúda tinha claramente um défice de atenção e a irmã nas madeixas. E tu tinhas de estar metida nisso, LOL.
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