Por causa de um comentário de um amigo hoje no facebook, viajei de repente até aos meus 16 anos.
Olhados daqui já à distancia, parecem-me doces como uvas maduras, cheios de esperança, de ilusões, de fins de tarde prolongados, de toques fugidios. Parecem-me saudosamente belos, com borboletas na barriga. Parecem-me o crepúsculo da manhã ou da tarde, cheios de promessas, cheios de desconhecido, cheios de madrugadas. Um rio que quase transborda de cheio, onde o reflexo sorri trocista por saber que o resto do mundo não interessa, onde o frio da água nas mãos faz pele de galinha e arrepios, e por isso é tão bom.
"Se eu soubesse o que sei hoje", os meus 16 anos teriam sido mais insípidos, com menos cor e com muito menos vida. Se eu soubesse o que sei hoje, não me teria apaixonado da mesma maneira, nem talvez pela(s) mesma(s) pessoa(s). Se eu soubesse o que sei hoje, não teria começado a fumar clandestinamente, aprendendo a custo a travar o fumo. Se eu soubesse o que sei hoje não teria, talvez, feito o percurso profissional que eu fiz. Se eu soubesse o que sei hoje, não me teria encantado com o mundo, com certas paisagens, com certos cheiros, com certas casas. Se eu soubesse o que sei hoje não teria, na altura, sacralizado certos momentos, certas memórias, certas reconstruções.
Ainda bem que não sabia o que sei hoje.
Que a minha filha não saiba o que eu sei hoje aos 16 anos. [e também, que não saiba algumas das coisas que eu sabia aos 16 anos - e não, não têm nada a ver com sexo, aí lhe desejo tudo a que tem direito]
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