É pequena, todos se conhecem, as educadoras de todas as salas sabem o nome, as manias e a personalidade de todos os meninos, mesmo os das outras salas. Os miúdos estão tranquilos, não se ouvem gritos nem choros desalmados (nem dos miúdos nem das educadoras...), respeitam os ritmos de cada um e estão atentos. Quando ouvimos "Ela hoje esteve mais murchinha..." já sabemos que mais dia menos dia vai cair doente. Quando ela passa uma noite pior, escrevem no caderno mensageiro "Esteve bem, mas parecia um pouco cansada". Não há televisão. Quando há sol, passam todo o dia no jardim e só vão comer e dormir lá dentro.
Ela também acha que a escola é espectacular ["e isso não é bom?! devias estar contente, olha, o meu era um berreiro sempre que o ia lá pôr..."]. De tal forma que às vezes (demasiadas vezes) estamos a vir embora e ela a querer ficar [ela não gosta de mim, ela não gosta de mim]. Chorinho, tiques de exorcista (aka arquear as costas todas para trás), voltar para a porta e bater [elas aqui dão-lhe coisas que eu não consigo dar em casa, de certeza que estou a falhar em alguma coisa]. Enfim. Ponto alto na festa de Natal, em que estávamos com eles nas salas e ela preferia queria o colo da auxiliar da sala dela ao meu [ela não gosta de mim, ela não gosta de mim, não lhe sei dar as regras e o mimo que elas conseguem]. Raios as partam.
Daí que entre as 16h e as 16h30, é sempre uma hora um bocado angustiante - vai querer vir, não vai, vem a correr para mim quando me vir, não vem... - geradora dos mais lúdicos pensamentos.
Quinta feira, pai sai à hora do almoço (um luxo, darem a tarde na véspera de sexta-fera santa). "Vamos buscá-la os dois". Pânico. Vai de certeza correr para o pai, ignorar-me. Inspira, expira, prepara... Se for assim, ok, aceita, é a vidinha. Não vai fazer fita para sair da escola, porque vai com ele e não comigo. Inspira, expira, prepara. Se for assim, é, muito zen, muito zen.
Entramos. Apercebo-me que o pai desconhece as rotinas da tarde da escola, tem que ser guiado. Instala-se uma pequena (pequena!) segurança - é o meu departamento, ele está de visita. Porta da sala. Inspira, expira, prepara... assumir posição de retaguarda, de observação. Sair um pouco do momento, lembra-te de não forçar... Vê-o primeiro a ele. Espanto. Vê-me depois a mim. Confusão. Corre na nossa direcção. [vai ao pai, vai ao pai...]. Pára a meio sem saber para que lado ir. Olha para um, avança para perto do pai. Pára; um pequeno detour. Volta-se para mim, atira-se para mim.
Ah.... a tranquilidade imensa.
Ah.... a tranquilidade imensa.
Ah, a vitória!
Ele está de visita. Como boa anfitriã, passo-lhe a prata da casa e fico a vê-los ir à minha frente. Com a tranquilidade de missão cumprida.
Ele está de visita. Como boa anfitriã, passo-lhe a prata da casa e fico a vê-los ir à minha frente. Com a tranquilidade de missão cumprida.
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