segunda-feira, 22 de julho de 2013

less is more - um desafio

Nos últimos dias li um livro que andava ali a ganhar pó na minha estante há uns meses. História do livro à parte, ele passa-se num cenário "no futuro", com avanços tecnológicos do tipo cruzamento de espécies animais e alterações genéticas para gerar animais com características específicas. Socialmente, o mundo divide-se entre os muito pobres que vivem no lixo e os que vivem em condomínios fechados assépticos. Ecologicamente, o caos - o ar poluído de tal forma que se tem que usar permanentemente uma máscara; "animais" a serem criados para alimentação, mas apenas o corpo espetado numa estaca, sem cabeça nem patas; explorações de vegetais e cereais cheias de pesticidas, alterações genéticas, etc; novas doenças criadas por farmacêuticas, para depois venderem a cura. Um desrespeito total pela Terra e pelas pessoas - cada um por si, para o seu pequeno presente hedónico. 

E de repente, a revelação, para mim, quando acabei o livro [no meio de um voo para França, cheio de pessoas a beber coca-colas]: não é o futuro. É o presente. E nós, nas nossas vidinhas, "esquecemo-nos" convenientemente de ver a big picture. Mea culpa, mea culpa, sim. 

Em teoria sim, eu sei isto tudo. Mas às vezes, se calhar, a informação é quase como uma vacina - de tanto nos bombardearem a cabeça com problemas sociais, com catástrofes ecológicas, etc., quase que ficamos imunes a que isso nos toque verdadeiramente. A que a nossa consciência abarque a imensidão do que isso é de maneira a ser propulsor de mudança. 

Cada vez mais faz sentido para mim alterar a maneira como vivemos, contrariando esta lógica doentia, consumista e desperdiçadora. Isso reflecte-se em algumas escolhas minhas e opções políticas, mas não está no meu quotidiano tanto quanto eu gostaria. Gostava de passar esses valores à minha filha. Admiro as pessoas que o fazem e às vezes vou buscar inspiração. 

E cada vez mais me interessa trazer essas coisas para a minha vida, para o dia a dia. Para que o viver "verde" deixe de ser apenas uma extravagância ou algo diferente e passe a ser a regra. Acho que às vezes me falta a coragem de sair do modo a que me acostumei de fazer as coisas. É isso, é mesmo falta de coragem às vezes. Que estupidez. Valente estupidez. Ainda bem que o livro me deu uma espécie de chamamento da realidade. 

Quero aprender a faze-lo. É um desafio que me lanço já hoje - o compromisso a tentar, cada semana, aproximar-me um pouco mais daí. 

Quem vem comigo [que isto de ter uma comunidade ajuda sempre]!?


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