sábado, 13 de julho de 2013

enamoramento e amor - parte I

Nunca fui daquelas mães que são capazes de deixar os filhos com os avós/tios/whatever durante grandes períodos de tempo e repetidamente. Não é propriamente uma coisa de que me orgulhe, mas é uma coisa que é verdade - e que é, aliás, contrária a uma imagem que eu poderia ter de mim própria. Adiante. Pelo contrário, sempre me custou muito fazê-lo. Sempre que aconteceu fi-lo ou "obrigada" ("vá, vai lá sair um bocado que eu fico com ela!"), ou por ter mesmo de ser (miúda doente e eu ter que trabalhar). 

É de livro o facto de isso me gerar uma grande culpabilidade. A minha questão sempre foi ela poder sentir, de alguma forma, que eu a estaria a abandonar, que ela seria um fardo para mim ou que não era suficientemente importante. O medo de que ela precisasse de mim/nós e eu/nós não estivéssemos lá. A angústia de pensar que ela poderia querer qualquer coisa que os outros não compreendessem. O pavor de que se sentisse sozinha e perdida.

Há sempre várias desculpas possíveis. Ela mamou exclusivamente até aos 6 meses. Depois mamou sem ser em exclusividade até aos 9. Não vê nenhum dos avós com a regularidade que me permitisse sentir que ela ficava tranquila. Há sempre coisas que posso apontar a cada avó, avô, tio que não gosto muito que façam com ela. Mas a verdade é que sempre que aconteceu ela ficou sempre bem. Eu já nem tanto.

Hoje nós vamos sair a 2, vamos jantar os dois pela primeira vez desde há 18 meses. Ela fica cá em casa com a tia, que lhe vai dar banho, jantar e por na cama. 

A minha filha já não é o meu bebé pequenino. E ainda que me faça muito feliz o facto de a ver autónoma, independente, com a vida "dela",  isto dói para caraças. É um bocadinho de mim que sai de mim. Um bocadinho de mim que é muito meu e, ao mesmo tempo, não me pertence. 

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